Colheita de soja em Primavera do Leste, no Mato Grosso.
A indústria da soja anunciou nesta terça-feira que vai estender
em um ano a moratória que proíbe a compra do grão vindo de novos
desmatamentos na Amazônia. O anúncio foi feito em uma coletiva de
imprensa em Brasília, que contou com a participação do ministro do
Meio Ambiente, Carlos Minc, e representantes do Grupo de Trabalho
da Soja (GTS).
"A decisão de hoje é muito importante porque é a confirmação
dada por um setor líder do agronegócio brasileiro de que é possível
garantir a produção de alimentos sem que seja necessário derrubar
mais um hectare de florestas na Amazônia", comemorou Paulo Adario,
diretor da campanha da Amazônia, do Greenpeace.
O presidente da Abiove, Carlo Lovatelli confirmou para o
Greenpeace que, depois de um telefonema do novo ministro do Meio
Ambiente, Carlos Minc, o setor concordou em estender a moratória na
Amazônia por mais um ano. Por sua vez, o governo federal se
comprometeu em acelerar o processo de registro e mapeamento das
propriedades rurais na Amazônia e em realizar o zoneamento
ecológico-econômico nas áreas prioritárias para a produção de
soja.
"A moratória é uma iniciativa bem sucedida da sociedade civil. O
governo está entrando agora e se compromete em realizar o cadastro
e licenciamento ambiental das propriedades rurais no bioma
Amazônia", afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc,
durante o evento. Ele ainda acrescentou que, seguindo o exemplo da
moratória da soja, o governo está negociando uma moratória para
madeira e gado.
O Grupo de Trabalho da Soja, formado por representantes da
indústria e de ONGs para assegurar a implementação da moratória,
vai continuar trabalhando para desenvolver as ferramentas
necessárias para garantir um regime de governança efetivo para a
indústria da soja na Amazônia. O envolvimento direto do governo
brasileiro será fundamental para agilizar o processo de registro e
mapeamento das propriedades rurais na Amazônia, de acordo com o
Código Florestal brasileiro. O Greenpeace acredita que um ano é
pouco para cumprir tal tarefa, mas que o monitoramento da próxima
safra será fundamental para começar a retirar do mercado os
produtores que insistem em desmatar a floresta.
Confira aqui o resultado do último
monitoramento das áreas recém desmatadas em regiões produtoras de
soja na Amazônia, feito pelo GTS com base em imagens de satélite do
Inpe.
A Aliança de Empresas Consumidoras Européias, liderada pelo
Mcdonald's e o Carrefour, soltou um comunicado apoiando a iniciativa
e se comprometendo a continuar engajada no processo. No Brasil, a
Sadia, o Wal Mart e a Yoki também apoiaram o comunicado.
"A necessidade urgente de combater o aquecimento global e
impedir a perda alarmante de biodiversidade requer que as
indústrias de alimentos e do agronegócio se responsabilizem e se
envolvam na busca de soluções. O papel das empresas consumidoras
tem sido crucial neste processo. Esperamos que os bons passos dados
até agora se traduzam em resultados positivos de longo prazo.
Afinal, é o futuro da Amazônia e do planeta que está em jogo",
completou Adario.
TourVirtual:
Clique aqui para verfotos
georreferenciadas do monitoramento feito pelo Greenpeace. Para
visualizar asfotos e imagens de satélite da área é preciso ter
instalado oaplicativo Google Earth. Se você não possui, cliqueaqui para fazer o download.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por
aproximadamente 20 por cento das emissões de gases do efeito estufa
na atmosfera - mais do que as emissões de todos os aviões, trens e
carros do mundo inteiro. O Brasil é o quarto maior emissor mundial
de gases estufa.
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