Organizações ambientalistas e empresas do setor sojeiro se
reúnem amanhã (29/03) em São Paulo para discutir a adoção de
instrumentos que auxiliem a barrar o desmatamento causado pelo
plantio de soja no bioma Amazônia. Mapas e visitas de campo devem
ser as principais ferramentas para monitorar a origem da soja
adquirida pelas empresas do setor, garantindo que ela não foi
plantada em novas áreas desmatadas no bioma.
Decretada em julho do ano passado, a
moratória no desmatamento da Amazônia para plantação de soja é
um compromisso da Associação Brasileira da Indústria de Óleos
Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de
Cereais (Anec).
As associadas da Abiove e da Anec assumiram o compromisso depois
de intensa pressão dos consumidores insatisfeitos com a derrubada
de floresta para plantação de grãos. Entre as associadas estão as
maiores traders do mercado, Cargill, Bunge, ADM, e o grupo
brasileiro Amaggi.
De acordo com o Grupo de Trabalho da Soja (GTS), criado depois
do anúncio da moratória, o objetivo do compromisso firmado pelo
setor sojeiro foi "demonstrar uma posição de responsabilidade da
cadeia produtiva e unificar a governança das empresas associadas
que atuam no Bioma Amazônia".
Clique aqui para ler o resumo da última reunião do Grupo de
Trabalho da Soja.
A Amazônia não é apenas a região de maior biodiversidade no
planeta, mas também desempenha papel fundamental no equilíbrio
climático e na vida de milhares de pessoas que vivem na região. Por
causa dos níveis alarmantes de destruição florestal provocada pelo
plantio de grãos como a soja, uma área de florestas do tamanho de
cinco campos de futebol tem sido destruída a cada minuto nos
últimos dez anos.
Para barrar o ritmo alarmante de destruição da maior floresta
tropical do planeta, o Greenpeace defende a presença permanente do
Estado na Amazônia, através do fortalecimento dos órgãos de governo
que atuam ali, como Ibama, Incra e Polícia Federal, além da criação
e implementação efetiva das áreas protegidas.
A reunião deverá aprovar um cronograma de trabalho detalhado
para 2007 e abordar a adequação dos fornecedores de soja ao código
florestal, entre outros temas.
Histórico
A campanha liderada pelo Greenpeace em 2006 incluiu ações
diretas no Brasil e na Europa e a publicação do relatório
"Comendo a Amazônia", que detalha os impactos negativos da
expansão da soja na floresta. Após a publicação do relatório, redes
de supermercados e fast-foods, como o McDonald's, formaram uma
aliança histórica com a organização ambientalista para exigir que a
indústria da soja adote medidas para conter o desmatamento da
Amazônia e trazer governança para a região.
Como resultado da pressão desta aliança, as multinacionais de
commodities Cargill, ADM, Bunge e o grupo brasileiro Amaggi
sentaram à mesa de negociações. Responsáveis pela maior parte do
comércio de soja no Brasil, as traders discutiram critérios
propostos pela aliança para fortalecer os esforços do governo
brasileiro contra o desmatamento, além do cumprimento às leis
brasileiras e proteção das áreas de florestas sobre grande pressão,
terras indígenas e povos tradicionais.
Como resposta, as duas associações de grãos no Brasil - Abiove
(Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais) e Anec
(Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) assinaram um
comunicado anunciando uma moratória de dois anos em novos
desmatamentos para a soja.
Nos últimos anos, mais de um milhão de hectares de florestas
foram convertidos em campos de soja na Amazônia. Áreas desmatadas
ilegalmente são alvos de violentos conflitos entre fazendeiros e
comunidades locais. A floresta vem sendo destruída para dar lugar a
campos de soja, que é então exportada para a Europa para alimentar
animais e atender a demanda internacional por proteína e carne
barata.
Saiba mais:
Veja no
mapa do bioma Amazônia a área sob moratória para novos
desmatamentos para plantio de soja
Greenpeace comemora o Dia Internacional da Biodiversidade com
fechamento das unidades da Cargill na Europa (22/05/2006)
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(21/05/2006)
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pela empresa e por sojeiros (19/05/2006)
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Pará (01/05/2006)
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(29/04/2006)
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(07/04/2006)
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