Área desmatada dentro de fazenda de soja monitorada pelo Grupo de Trabalho da Soja.
A moratória da soja completa dois anos nesta
quinta-feira e, na avaliação dos diversos setores envolvidos, os
avanços são significativos. Mas há desafios que precisam ser
encarados com o rigor que merecem para que seja possível acabar com
o desmatamento na Amazônia.
No mês passado, a indústria da soja anunciou a extensão da moratória até julho
de 2009. No evento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, se
comprometeu a apoiar a moratória da soja, priorizando o cadastro
rural nos municípios produtores de soja.
Além de ter colocado diferentes atores da sociedade na mesma
mesa de negociação para articular formas de produzir sem destruir a
floresta, a iniciativa é um exemplo do poder que os consumidores
têm de demandar boas práticas. Afinal, foi através da pressão das
indústrias de alimentos consumidoras de soja que as traders que
operam no Brasil anunciaram a moratória.
A extensão da moratória foi apoiada pela Aliança das Empresas
Consumidoras, da qual participam o Macdonald's, o Carrefour, a
Sadia e o Wal Mart, entre outras. "Nós elogiamos o progresso
positivo do Grupo de Trabalho da Soja - responsável pela
implementação da moratória - nos últimos dois anos e reconhecemos
que muito já foi alcançado. No entanto, nós concordamos que o
processo precisa continuar. (...) Esperamos que a moratória
continue em vigor até que todos os compromissos tenham sido
alcançados", afirma nota das empresas.
Para o Greenpeace, os principais desafios da moratória neste
próximo ano são: a realização do cadastro e licenciamento ambiental
das propriedades rurais - responsabilidade a ser partilhada pelo
setor da soja e pelos governos estaduais e federal; a ampliação do
sistema de monitoramento para incluir mecanismos de
rastreabilidade; e assegurar que o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatísticas (IBGE) disponibilize o mapa do bioma
Amazônia na escala 1:100.000, para a definição das propriedades
rurais que estão dentro do bioma.
"É preciso dar nome aos bois. O cadastramento das propriedades
rurais permite identificar quem é o responsável pelo desmatamento e
separar estes produtores daqueles que acreditam que é possível
produzir sem desmatar", afirma Tatiana de Carvalho, da Campanha
Amazônia do Greenpeace.
No início deste ano, o Grupo de Trabalho da Soja realizou o primeiro monitoramento sobre o
progresso da moratória e concluiu que a mais recente safra de soja
(2007/2008) não veio de novos desmatamentos na região. Mas a
verificação de campo realizada pelo Greenpeace, de dezembro de 2007
a março de 2008, constatou que, apesar de ainda não terem sido
ocupados pela soja, vários destes desmatamentos ocorreram dentro de
fazendas produtoras do grão.
"Na próxima safra podem começar a aparecer casos de produtores
que plantaram soja em áreas desmatadas após julho de 2006. O
monitoramento dessas áreas vai resultar em um desafio para a
indústria: excluir de sua lista de fornecedores aqueles produtores
que não respeitaram a moratória, garantindo assim o direito do
consumidor de não comprar produtos que causem a destruição da
floresta. Esta é a lógica da moratória ", conclui Tatiana.
Inspirado nesta inciativa, o governo federal, anunciou em Belém
na semana passada, o Pacto pela Madeira Legal e
Sustentável.
Tour Virtual
Clique aqui para ver fotos georreferenciadas do
monitoramento feito pelo Greenpeace. Para visualizar as fotos e
imagens de satélite da área é preciso ter instalado o aplicativo
Google Earth. Se você não possui, clique aqui para baixar o programa.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por
aproximadamente 20 por cento das emissões de gases do efeito estufa
na atmosfera - mais do que o total emitido por todos os aviões,
trens e carros do mundo inteiro. No Brasil, o desmatamento,
principalmente na Amazônia, corresponde a 75% das emissões
brasileiras, colocando o país na incômoda posição de quarto maior
poluidor do clima do planeta.
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