Fazenda de soja na Amazônia
A indústria da soja, representada pela Associação Brasileira das
Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Associação Nacional dos
Exportadores de Cereais (Anec), anunciou hoje que irá estender por
mais um ano a moratória da soja, reafirmando o compromisso de não
comprar o grão plantado em áreas desmatadas após julho de 2006. O
anúncio foi feito em uma coletiva de imprensa em Brasília com a
participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e com os
integrantes do Grupo de Trabalho da Soja (GTS).
O Ministro comentou que a moratória ajudou a diminuir a pressão
sobre a Amazônia, mas que o principal fator de desmatamento ainda é
a pecuária. "A moratória nos dá balizamento para monitor outros
pactos com setores produtivos relevantes", completou Minc.
Leia a íntegra do
comunicado do GTS.
Clique aqui para ler o
termo de compromisso.
"Essa iniciativa é um exemplo do poder dos consumidores. A
demanda das multinacionais de alimentos que consomem a soja
brasileira impulsionou o compromisso da indústria da soja com a
proteção da floresta. Todos os setores do agronegócio que operam na
Amazônia, principalmente a pecuária, precisam se adequar as
exigências dos consumidores, que buscam cada vez mais um produto
livre de desmatamento", disse Paulo Adario, diretor da Campanha
Amazônia, do Greenpeace, e um dos coordenadores do GTS. Outro
ponto favorável do compromisso foi ter colocado diferentes grupos
na mesma mesa de negociação para articular formas de produzir sem
destruir a floresta.
O Grupo de Trabalho da Soja avalia como positivos os avanços
alcançados nos últimos três anos, mas ainda considera que os
mecanismos de governança presentes na Amazônia não são suficientes
para garantir o fim do desmatamento.O cadastramento das
propriedades rurais e o licenciamento ambiental ainda são os
maiores desafios para que a moratória possa ser encerrada. Nas
últimas duas safras, o GTS monitorou todos os desmatamentos maiores
de 100 hectares nos municípios com grandes plantações de soja no
bioma Amazônia para assegurar que o compromisso assumido pelas
grandes processadoras de soja seria cumprido. Em 2007, não foi
encontrado nenhum caso de desrespeito a moratória, mas na última
safra foram detectados 12 casos de plantio de soja em novos
desmatamentos. As empresas garantiram que programaram seus sistemas
de compras para não adquirir este grão.
Os compradores de soja europeus também valorizam a extensão da
moratória. "Nós queremos garantir que nossas ações ajudem a
proteger a floresta Amazônica. A moratória tem sido um passo
positivo para monitorar e controlar a soja usada na cadeia
produtiva e nós continuaremos a participar do esforço para alcançar
o desmatamento zero na Amazônia", disse Denis Hennequin, presidente
do McDonald's na Europa. Veja
aqui comunicado das empresas consumidoras de soja
brasileira.
Na próxima safra, o sistema de monitoramento sofrerá ajustes.
Para acompanhar a mudança no padrão de desmatamento, que está cada
vez mais pulverizado, também serão monitorados os desmatamentos
menores de 100 ha, pequenos para o padrão amazônico. Para cobrir os
desmatamentos acumulados nos últimos três anos, que sem incluir as
áreas menores de 100 ha já ultrapassam 1000 áreas, as visitas de
campo serão amostrais. O avanço tecnológico das imagens de satélite
possibilita agora identificar o cultivo no campo sem a necessidade
de deslocamento até a área. Então, a partir deste ano, somente
serão visitadas as áreas desmatadas depois que a análise das
imagens de satélite identificar o potencial plantio de soja.
A moratória poupou a floresta sem afetar negativamente o setor.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área
plantada na Região Norte mais Mato Grosso subiu de 6,19 milhões de
ha no período 2007/2008 para 6.32 milhões em 2008/2009. Esse número
é inferior à área ocupada com soja na safra 2005/06 - 6,7 milhões
de ha. A produção se manteve estável: em torno de 19,3 milhões de
toneladas no período. As exportações geraram uma receita de US$
11,3 bilhões em 2007 e US$ 17,9 bilhões em 2008, segundo a Abiove.
Em 2009, o levantamento parcial indica uma receita de US$ 15,1
bilhões.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por
aproximadamente 20 por cento das emissões de gases do efeito estufa
na atmosfera - mais do que o total emitido por todos os aviões,
trens e carros do mundo inteiro. No Brasil, o desmatamento,
principalmente na Amazônia, contribui para colocar o país na
incômoda posição de quarto maior poluidor do clima do planeta. "O
pagamento por serviços ambientais seria um grande incentivo para o
produtor rural deixar de desmatar. A indústria espera que no final
do ano em Copenhague os governos de diferentes países assumam este
compromisso", disse Carlo Lovatelli, presidente da Abiove.