Moratória da soja vale até 2010

Notícia - 27 - jul - 2009
Compromisso pela proteção da floresta é estendido por mais um ano

Fazenda de soja na Amazônia

A indústria da soja, representada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), anunciou hoje que irá estender por mais um ano a moratória da soja, reafirmando o compromisso de não comprar o grão plantado em áreas desmatadas após julho de 2006. O anúncio foi feito em uma coletiva de imprensa em Brasília com a participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e com os integrantes do Grupo de Trabalho da Soja (GTS).

O Ministro comentou que a moratória ajudou a diminuir a pressão sobre a Amazônia, mas que o principal fator de desmatamento ainda é a pecuária. "A moratória nos dá balizamento para  monitor outros pactos com setores produtivos relevantes", completou Minc.  

Leia a íntegra do comunicado do GTS.

Clique aqui para ler o termo de compromisso.

"Essa iniciativa é um exemplo do poder dos consumidores. A demanda das multinacionais de alimentos que consomem a soja brasileira impulsionou o compromisso da indústria da soja com a proteção da floresta. Todos os setores do agronegócio que operam na Amazônia, principalmente a pecuária, precisam se adequar as exigências dos consumidores, que buscam cada vez mais um produto livre de desmatamento", disse Paulo Adario, diretor da Campanha

Amazônia, do Greenpeace, e um dos coordenadores do GTS. Outro ponto favorável do compromisso foi ter colocado diferentes grupos na mesma mesa de negociação para articular formas de produzir sem destruir a floresta.

O Grupo de Trabalho da Soja avalia como positivos os avanços alcançados nos últimos três anos, mas ainda considera que os mecanismos de governança presentes na Amazônia não são suficientes para garantir o fim do desmatamento.O cadastramento das propriedades rurais e o licenciamento ambiental ainda são os maiores desafios para que a moratória possa ser encerrada. Nas últimas duas safras, o GTS monitorou todos os desmatamentos maiores de 100 hectares nos municípios com grandes plantações de soja no bioma Amazônia para assegurar que o compromisso assumido pelas grandes processadoras de soja seria cumprido. Em 2007, não foi encontrado nenhum caso de desrespeito a moratória, mas na última safra foram detectados 12 casos de plantio de soja em novos desmatamentos. As empresas garantiram que programaram seus sistemas de compras para não adquirir este grão.

Os compradores de soja europeus também valorizam a extensão da moratória. "Nós queremos garantir que nossas ações ajudem a proteger a floresta Amazônica. A moratória tem sido um passo positivo para monitorar e controlar a soja usada na cadeia produtiva e nós continuaremos a participar do esforço para alcançar o desmatamento zero na Amazônia", disse Denis Hennequin, presidente do McDonald's na Europa. Veja aqui comunicado das empresas consumidoras de soja brasileira.

Na próxima safra, o sistema de monitoramento sofrerá ajustes. Para acompanhar a mudança no padrão de desmatamento, que está cada vez mais pulverizado, também serão monitorados os desmatamentos menores de 100 ha, pequenos para o padrão amazônico. Para cobrir os desmatamentos acumulados nos últimos três anos, que sem incluir as áreas menores de 100 ha já ultrapassam 1000 áreas, as visitas de campo serão amostrais. O avanço tecnológico das imagens de satélite possibilita agora identificar o cultivo no campo sem a necessidade de deslocamento até a área. Então, a partir deste ano, somente serão visitadas as áreas desmatadas depois que a análise das imagens de satélite identificar o potencial plantio de soja.

A moratória poupou a floresta sem afetar negativamente o setor. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada na Região Norte mais Mato Grosso subiu de 6,19 milhões de ha no período 2007/2008 para 6.32 milhões em 2008/2009. Esse número é inferior à área ocupada com soja na safra 2005/06 - 6,7 milhões de ha. A produção se manteve estável: em torno de 19,3 milhões de toneladas no período. As exportações geraram uma receita de US$ 11,3 bilhões em 2007 e US$ 17,9 bilhões em 2008, segundo a Abiove. Em 2009, o levantamento parcial indica uma receita de US$ 15,1 bilhões.

O desmatamento das florestas tropicais é responsável por aproximadamente 20 por cento das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera - mais do que o total emitido por todos os aviões, trens e carros do mundo inteiro. No Brasil, o desmatamento, principalmente na Amazônia, contribui para colocar o país na incômoda posição de quarto maior poluidor do clima do planeta. "O pagamento por serviços ambientais seria um grande incentivo para o produtor rural deixar de desmatar. A indústria espera que no final do ano em Copenhague os governos de diferentes países assumam este compromisso", disse Carlo Lovatelli, presidente da Abiove.

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