Mudanças climáticas na telona

Notícia - 26 - mai - 2004
O filme "O dia depois de amanhã" dá um recado importante: o aquecimento global caminha para tornar-se uma megatragédia para a vida sobre o planeta Terra

"O dia depois de amanhã" não é só ficção, é também realidade. Como não poderia deixar de ser, não faltam efeitos especiais neste longa-metragem hollywoodiano, que estréia em circuito comercial no Brasil nesta sexta-feira (28/05). Só que dessa vez eles dão um recado importante: o aquecimento global caminha para tornar-se uma megatragédia para a vida sobre o planeta Terra. Na opinião do Greenpeace, se o filme conseguir levar as pessoas a pensarem e agirem a respeito do caos climático que se aproxima, temos razões para aplaudir.

Em uma época em que ciclones estão se tornando mais frequentes sobre a costa brasileira, enchentes são mais comuns em vários centros urbanos do mundo, e cerca de 22 mil pessoas morrem na Europa, como na última temporada de verão, devido a uma extraordinária onda de calor, mesmo os críticos aos eventuais excessos de "O dia depois de amanhã" têm de reconhecer que na vida real os eventos climáticos extremos estão tornando-se mais frequentes e severos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 160 mil pessoas estão morrendo por causa do aquecimento global, número que poderia dobrar até 2020 - contabilizando-se catástrofes naturais e doenças relacionadas a elas.

Além disso, é uma época em que governos como Bush ou Lula não trabalham a fim de remediar o problema. Enquanto o governo americano deixa de lado o único acordo mundial que poderia começar a frear a elevação das temperaturas (Protocolo de Kioto), no Brasil recebemos esta semana notícias terríveis para o assunto "geração de energia". O governo brasileiro fez um acordo na China para investimentos em uma usina a carvão no Rio Grande do Sul, que deverá lançar na atmosfera cerca de 3,2 milhões de toneladas de CO2 por ano. Por sua vez, o desmatamento da Amazônia, maior floresta tropical do planeta, corre desenfreado e atingiu seus maiores números nos últimos anos. No Brasil, a destruição de florestas e queimadas são uns dos fatores que mais contribuem para o efeito estufa no país.

Bill McKibben, autor de um dos primeiros livros sobre o aquecimento global ("The End of Nature" ou "O fim da Natureza", na tradução para o português), tem chamado a atenção para o tema desde os anos 80. Todos sabemos que os políticos não darão nenhum passo adiante antes de sofrerem algum tipo de pressão que os "incentive". McKibben também só tem a lamentar a falta de consciência ampla e difundida de fatos graves que estão ocorrendo no mundo: a extinção de até um quarto das espécies conhecidas nos próximos 100 anos; populações inteiras escapando de enchentes nas áreas mais pobres do planeta; a malária chegando a regiões nunca antes atingidas como a América do Norte; tempestades assassinas; mudanças profundas no funcionamento da agricultura; e fortes reduções na capacidade de produzir alimentos mundialmente.

É bom lembrar que "O dia depois de amanhã" é um filme. Mas a obra utiliza ficção para alertar para um fato: o aquecimento global precisa de nossa atenção. Já há pessoas morrendo e o mundo já foi, em certos aspectos, permanentemente alterado. Mas não é tarde para mudar esse quadro e evitar boa parte dos impactos previstos sobre as futuras gerações.

O desafio é acabar com a dependência mundial dos combustíveis fósseis nas próximas quatro décadas, e diminuir o desmatamento e as queimadas de florestas. Essa é a mensagem que algumas corporações (como a Esso) e governos (como o Bush), não querem que seja escutada.

O dia depois de amanhã será tarde demais. A hora é agora.

Veja a verdade sobre "O dia depois de amanhã" em www.thedayaftertomorrow.org (em inglês).

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