Capa do relatório Mudanças do Clima, Mudanças no Campo, que traz detalhes do papel na agricultura nas mudanças climáticas.
A agricultura é atualmente uma das mais importantes fontes de
emissão de gases do efeito estufa e mudanças urgentes precisam ser
feitas no modo como a atividade é exercida para torná-la
ambientalmente sustentável. Isso é o que conclui o novo relatório
do Greenpeace, Mudanças do Clima, Mudanças no Campo.
Leia aqui o briefing do relatório (em português).
O relatório foi escrito para o Greenpeace pelo professor Pete
Smith, da Universidade de Aberdeen - um dos autores do mais recente
relatório do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC,
na sigla em inglês) - e é o primeiro a detalhar os efeitos diretos
e indiretos da agricultura nas mudanças climáticas.
"Os impactos da agricultura industrial no clima não podem ser
ignorados", afirma Gabriela Vuolo, do Greenpeace Brasil. "É preciso
trabalhar para que o futuro da agricultura seja produzindo
alimentos em comunhão com a natureza e a população, e não contra
elas".
O novo relatório do Greenpeace traz detalhes de como a
agricultura baseada no uso intensivo de energia e produtos químicos
provocou um aumento nos níveis de emissões de gases do efeito
estufa, principalmente devido ao excessivo uso de fertilizantes,
desmatamento, degradação do solo e criação intensiva de
animais.
A contribuição total da agricultura mundial para as mudanças
climáticas, incluindo desmatamento para plantações e outros usos, é
estimado em algo entre 8,5 bilhões e 16,5 bilhões de toneladas de
dióxido de carbono, ou entre 17% e 32% de todas as emissões de
gases do efeito estufa provocadas pelo ser humano.
O uso excessivo de fertilizantes é responsável pela maior parte
das emissões de gases do efeito estufa, estando hoje em torno de
2,1 bilhões de toneladas de CO2 anualmente. O excesso de
fertilizantes provoca a emissão de óxido nitroso (N2O), que é algo
em torno de 300 vezes mais potente que o CO2 na mudança do
clima.
O relatório detalha ainda a variedade de soluções práticas que
podem reduzir as mudanças climáticas e que são fáceis de ser
implementadas, incluindo aí a redução do desmatamento, do uso de
fertilizantes e a proteção do solo.
"Do ponto de vista do clima global, o grande vilão é a queima de
combustíveis fósseis seguido da mudança de uso do solo, como as queimadas
na Amazônia e as atividades agrícolas em geral. No Brasil, essa
é a maior parte do problema", afirmou Luís Piva, coordenador da
campanha de clima do Greenpeace. "Ações urgentes são necessárias
para que o setor agrícola deixe de ser parte do problema das
mudanças climáticas e passe a colaborar com a retirada de carbono
da atmosfera e ao mesmo tempo garantir a segurança alimentar".
Saiba mais:
Íntegra do relatório Mudanças do Clima, Mudanças no Campo (em
inglês).
Sumário Executivo do relatório (em português).