Não tire o corpo fora, Lula!

Notícia - 23 - set - 2007
Presidente brasileiro tem que aproveitar seu discurso na ONU para assumir parcela de responsabilidade do país no aquecimento global e se comprometer com o desmatamento zero. Em encontro informal sobre meio ambiente também na ONU, Greenpeace desafia líderes mundiais a reforçarem Protocolo de Kyoto, propondo ações decisivas e urgentes.

Os Estados Unidos tentam minar Kyoto promovendo uma reunião paralela para discutir o aquecimento global. Esse encontro, fora do âmbito da ONU, já vem sendo chamada de Reunião dos Grandes Poluidores.

Lula discursará nesta terça-feira na abertura da 62a. Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, e terá uma chance de ouro para reforçar o compromisso do Brasil com o combate às mudanças climáticas. Para tanto, precisa sinalizar claramente que a negociação internacional sobre aquecimento global deve se dar no âmbito da ONU e mostrar que o país está disposto a assumir sua parcela de responsabilidade com o aquecimento global, tomando medidas adequadas, como o desmatamento zero.

"O Brasil não pode aceitar um processo paralelo liderado pelos Estados Unidos, maior poluidor do mundo e que não cumpre os compromissos acordados pelo Protocolo de Kyoto", diz Marcelo Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil.

"O governo brasileiro tem uma oportunidade única para falar de biocombustíveis e cobrar responsabilidade dos países ricos, mas também  para deixar claro que o Brasil, como quarto maior poluidor do mundo, tem que acabar com o desmatamento e com isso dar sua contribuição no combate às mudanças climáticas", afirma. "Essa é a única reunião de alto escalão no âmbito da ONU, com chefes de Estado de todo o mundo, antes da Convenção Quadro de Mudanças Climáticas e do Protocolo de Kyoto, que acontece em Bali, em dezembro próximo. O que for decidido agora terá conseqüências significativas nas negociações sobre a segunda fase do Protocolo de Kyoto, daí a sua importância."

Greenpeace na ONU: "Não temos tempo para retórica"

O diretor de Campanhas do Greenpeace China, Lo Sze Ping, participou nesta segunda-feira do encontro ambiental 'informal' realizado na ONU com dezenas de chefes de Estado, e destacou em discurso que "os governos não podem se perder em retóricas e ações divergentes" neste momento, porque a situação é de emergência.

"Cientistas e economistas estão divulgando fatos alarmantes que, ignorados, nos colocam a todos em perigo. O Protocolo de Kyoto é o único caminho para agirmos para valer contra as mudanças climáticas", disse Lo. O Greenpeace está convocando os governos a entrarem em acordo por um "Mandato de Bali" no encontro Kyoto+ que discutirá na ilha indonésia, em dezembro, as novas demandas para se combater o aquecimento global. Esse acordo deve deixar claro a urgência das mudanças climáticas e defender os seguintes pontos:

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drásticos cortes de emissões de gases do efeito estufa pelos países industrializados;

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criação de novos mecanismos de mercado para trazer a ação de países em desenvolvimento contra as mudanças climáticas para dentro do sistema Kyoto;

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um fundo para promover uma revolução energética baseada em energias renováveis e eficiência energética;

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uma redução nas emissões de carbono por meio da eliminação do desmatamento;

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pagamento pelos impactos das mudanças climáticas que não podem mais ser evitadas, especialmente no mundo desenvolvido.

"O trabalho em Bali não pode ser um mapa do caminho, nem uma lista de promessas, mas um mandato claro para uma reforçada segunda fase do Protocolo de Kyoto a partir de 2009", afirma Lo, que desafia ainda a noção de que a China não está agindo em relação à sua contribuição para as mudanças climáticas. "Para ser claro, a China está sim agindo, já tendo estabelecido metas significantes de energia renovável e eficiência energética. No entanto, precisamos eliminar nossa dependência do carvão para a produção de energia e acelerar nossa capacidade de desenvolver projetos de energia solar e eólica, combatendo assim as mudanças climáticas de maneira alternativa e lucrativa."

A China tem a capacidade de desenvolver 118GW de energia eólica e 25GW de energia solar fotovoltaica até 2020. De acordo com o Cenário Global Energético lançado pelo Greenpeace no início deste ano, investir num de eletricidade renovável e eficiência energética resultará numa economia de US$ 180 bilhões anualmente, além de cortar as emissões de CO2 pela metade até 2030. Essa análise pode ser encontrada na página www.energyblueprint.info

"Temos toda a tecnologia que precisamos para iniciar já os trabalhos necessários para evitar o pior das mudanças climáticas. Os governos precisam é pôr as mãos à obra", diz Lo.

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