Os Estados Unidos tentam minar Kyoto promovendo uma reunião paralela para discutir o aquecimento global. Esse encontro, fora do âmbito da ONU, já vem sendo chamada de Reunião dos Grandes Poluidores.
Lula discursará nesta terça-feira na abertura da 62a.
Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova
York, e terá uma chance de ouro para reforçar o compromisso do
Brasil com o combate às mudanças climáticas. Para tanto, precisa
sinalizar claramente que a negociação internacional sobre
aquecimento global deve se dar no âmbito da ONU e mostrar que o
país está disposto a assumir sua parcela de responsabilidade com o
aquecimento global, tomando medidas adequadas, como o desmatamento
zero.
"O Brasil não pode aceitar um processo paralelo liderado pelos
Estados Unidos, maior poluidor do mundo e que não cumpre os
compromissos acordados pelo Protocolo de Kyoto", diz Marcelo
Furtado, diretor de Campanhas do Greenpeace Brasil.
"O governo brasileiro tem uma oportunidade única para falar de
biocombustíveis e cobrar responsabilidade dos países ricos, mas
também para deixar claro que o Brasil, como quarto maior poluidor
do mundo, tem que acabar com o desmatamento e com isso dar sua
contribuição no combate às mudanças climáticas", afirma. "Essa é a
única reunião de alto escalão no âmbito da ONU, com chefes de
Estado de todo o mundo, antes da Convenção Quadro de Mudanças
Climáticas e do Protocolo de Kyoto, que acontece em Bali, em
dezembro próximo. O que for decidido agora terá conseqüências
significativas nas negociações sobre a
segunda fase do Protocolo de Kyoto, daí a sua importância."
Greenpeace na ONU: "Não temos tempo para retórica"
O diretor de Campanhas do Greenpeace China, Lo Sze Ping,
participou nesta segunda-feira do encontro ambiental 'informal'
realizado na ONU com dezenas de chefes de Estado, e destacou em
discurso que "os governos não podem se perder em retóricas e ações
divergentes" neste momento, porque a situação é de emergência.
"Cientistas e economistas estão divulgando fatos alarmantes que,
ignorados, nos colocam a todos em perigo. O Protocolo de Kyoto é o
único caminho para agirmos para valer contra as mudanças
climáticas", disse Lo. O Greenpeace está convocando os governos a
entrarem em acordo por um "Mandato de Bali" no encontro Kyoto+ que
discutirá na ilha indonésia, em dezembro, as novas demandas para se
combater o aquecimento global. Esse acordo deve deixar claro a
urgência das mudanças climáticas e defender os seguintes
pontos:
*
drásticos cortes de emissões de gases do efeito estufa pelos
países industrializados;
*
criação de novos mecanismos de mercado para trazer a ação de
países em desenvolvimento contra as mudanças climáticas para dentro
do sistema Kyoto;
*
um fundo para promover uma
revolução energética baseada em energias renováveis e
eficiência energética;
*
uma redução nas emissões de carbono por meio da eliminação do
desmatamento;
*
pagamento pelos impactos das mudanças climáticas que não podem
mais ser evitadas, especialmente no mundo desenvolvido.
"O trabalho em Bali não pode ser um mapa do caminho, nem uma
lista de promessas, mas um mandato claro para uma reforçada segunda
fase do Protocolo de Kyoto a partir de 2009", afirma Lo, que
desafia ainda a noção de que a China não está agindo em relação à
sua contribuição para as mudanças climáticas. "Para ser claro, a
China está sim agindo, já tendo estabelecido metas significantes de
energia renovável e eficiência energética. No entanto, precisamos
eliminar nossa dependência do carvão para a produção de energia e
acelerar nossa capacidade de desenvolver projetos de energia solar
e eólica, combatendo assim as mudanças climáticas de maneira
alternativa e lucrativa."
A China tem a capacidade de desenvolver 118GW de energia eólica
e 25GW de energia solar fotovoltaica até 2020. De acordo com o
Cenário Global Energético lançado pelo Greenpeace no início deste
ano, investir num de eletricidade renovável e eficiência energética
resultará numa economia de US$ 180 bilhões anualmente, além de
cortar as emissões de CO2 pela metade até 2030. Essa análise pode
ser encontrada na página www.energyblueprint.info
"Temos toda a tecnologia que precisamos para iniciar já os
trabalhos necessários para evitar o pior das mudanças climáticas.
Os governos precisam é pôr as mãos à obra", diz Lo.