Para o governo do MT, isso não é desmatamento. Mas esta área, em Marcelândia, no Mato Grosso, está condenada: vai virar pasto ou plantação.
Na Semana do Meio Ambiente, o Brasil ganhou um baita presente de
grego: dados do sistema de Detecção em Tempo Real (Deter), do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta
segunda-feira, revelaram que 1.123 quilômetros quadrados da
floresta amazônica foram destruídos no mês de abril. Esse total
equivale a quase toda a cidade do Rio de Janeiro.
O Mato Grosso foi novamente o campeão de desmatamento, com 794
km2 de área florestal derrubada em abril - 70,7% do total destruído
na Amazônia no período. Em março, o Inpe detectou 112,4 km2 de área
desmatada ou alterada no estado.
Com o aumento do preço da soja e da carne bovina, a tendência é
de que o Mato Grosso seja novamente o campeão do desmatamento da
Amazônia no período 2007/2008. O governador do estado, Blairo
Maggi, contesta os dados do Deter.
"Além de ter dado claros sinais em favor da substituição das
florestas pelo agronegócio, o governo Maggi não investiu o
suficiente nas medidas contra o desmatamento e o governo federal
deixou de implementar várias metas previstas no seu próprio plano de ação contra o desmatamento",
afirma Marcelo Marquesini, da Campanha Amazônia.
"O pior é que os meses críticos para o desmatamento ainda estão
porvir: junho, julho e agosto. E se essa tendência se confirmar, a
taxa dedesmatamento voltará a crescer."
Segundo Marquesini, os dados do Deter para o mês de abril
confirmam a necessidade do governo federal de continuar a adotar
medidas como a restrição de financiamento para quem desrespeita
questões fundiárias e critérios ambientais no bioma Amazônia.
Na última quinta-feira (29/5), durante a Convenção de
Diversidade Biológica (CDB), em Bonn, na Alemanha, o novo ministro
do Meio Ambiente confirmou que, a partir de 1º de julho, nenhuma
propriedade com situação fundiária ou ambiental irregular no bioma
receberá créditos públicos ou
privados.
O Deter é um sistema ágil, que utiliza imagens de satélite de
baixa resolução e fornece dados freqüentes sobre a cobertura
vegetal da região. Não foi concebido para medir a área desmatada,
mas para alertar as autoridades sobre os focos de destruição da
floresta. O Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia
(Prodes) é o sistema utilizado pelo Inpe para medir as áreas
desmatadas. Ele é muito mais preciso e utiliza imagens de satélites
com alta resolução, obtidas nos períodos em que há menos nuvens na
região amazônica.
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