Notícia - 22 - mar - 2007
Nisshin Maru chegou nesta sexta-feira à capital japonesa após pegar fogo em alto-mar e ter um de seus tripulantes morto no acidente.
O Nisshin Maru, navio-fábrica da frota baleeira japonesa que
estava caçando no Santuário de Baleias no Mar da Antártica, chegou
à Tóquio nesta sexta-feira, após passar maus bocados em alto-mar. A
embarcação pegou fogo e um de seus tripulantes morreu. A passagem
da frota baleeira pela região resultou na morte de 505 baleias
minke e três finn, que estão ameaçadas de extinção.
O navio Esperanza, do Greenpeace, chegará ao Japão na próxima
semana. Os baleeiros e representantes do governo japonês foram
convidados a participar de uma reunião a bordo do navio, para
discutir o programa baleeiro. Recentemente, a Comissão
Internacional de Caça a Baleias (IWC na sigla em inglês) constatou
que, apesar de caçar baleias há 18 anos sob o pretexto de fazer
pesquisa científica, o Japão pouco ou nada aprendeu sobre as
populações desses animais na Antártica.
O programa científico japonês (chamado JARPA) foi iniciado em
1987 e seguiu até 2005. No ano passado, 56 cientistas (29 deles do
Japão) promoveram um seminário para analisar o JARPA, sob
orientação do comitê científico da IWC. O objetivo era simplesmente
avaliar se as metas do JARPA foram ou não atingidas.A conclusão
desses cientistas é que nenhum dos quatro principais objetivos do
programa japonês, que incluía a morte de 6,778 baleias, foi
atingido. A meta central era estabelecer a taxa natural de
mortalidade das baleias minke. Os resultados?
"Foi observado que os intervalos obtidos pelos pesquisadores
japoneses em torno da mortalidade natural das baleias eram muito
grandes e assim os parâmetros permanecem desconhecidos até agora",
e "Em particular, mesmo um valor de zero não foi excluído pelos
analistas." Ou seja: chegaram a cogitar que as baleias minke não
morriam de causa natural, tornando-a praticamente imortal.As
tentativas de determinar se a população de baleias estava
aumentando ou diminuindo também fracassaram."O povo japonês
financiou por 18 anos uma pesquisa que nada produziu de
aproveitável até o momento", afirma Junichi Sato, coordenador da
campanha de baleias do Greenpeace Japão.
O governo japonês está correndo para consertar o Nisshin Maru
para que ele participe da caçada às baleias no Pacífico Norte,
ainda este ano. O Greenpeace defende que o navio-fábrica deve se
aposentar de suas atividades e que o governo japonês pare com a
caça comercial das baleias.