O Greenpeace instalou uma Estação de Resgate Climático do lado de uma mina de carvão na Polônia. O país que recebe a reunião da ONU sobre mudanças climáticas que definirá o acordo para a segunda etapa do Protocolo de Kyoto é um dos 20 maiores poluidores do mundo, graças à sua dependência energética no carvão.
Depois de uma semana sem nenhum avanço, a 14ª Conferência das Partes (COP) da Convenção da
ONU sobre Mudanças Climáticas, que está sendo realizada em
Poznan, na Polônia, entra nesta segunda-feira (8/12), numa fase
mais decisiva. Na quarta-feira (10/12) chegam ao encontro os
ministros do meio ambiente dos países participantes, inclusive
Carlos Minc. A ausência do primeiro escalão de negociações tem
sido, até agora, a grande desculpa para os acordos não avançarem.
Isso sem contar o jogo de empurra na discussão sobre as
resposabilidades com a redução das emissões dos gases de efeito
estufa.
"Todo mundo está esperando por alguém. Os delegados dos governos
esperam pela chegada dos ministros, que, por usa vez, esperam um
posicionamento americano, mas a crise climática é urgente e não
espera por ninguém", disse Paulo Adário, coordenador da campanha da
Amazônia do Greenpeace, que acompanha o encontro em Poznan.
O Brasil poderia liderar essa discussão. "O Brasil é o país
melhor qualificado em termos de redução de emissão de carbono.
Nossa matriz é limpa, temos a maior floresta tropical do mundo,
portanto um grande estoque de carbono, e dominamos a tecnologia do
biocombustível. No entanto, o governo brasileiro teima em não
assumir a responsabilidade de liderar as negociações
internacionais", avalia Adário.
As menores nações, aquelas que serão mais atingidas pelos
efeitos das mudanças climáticas, são as mais empenhadas nas
negociações. "A única liderança visionária a estas conversações vem
de Tuvalu, um pequeno país que já convive com os problemas causados
pela elevação de 1,5º C na temperatura média", afirmou Stephanie
Tunmore do Greenpeace Internacional. A elevação do nível do mar já
coloca o arquipélago de 11 ilhas, localizado ao Sul do Oceano
Pacífico, em risco. A grande incidência de inundações causadas por
tempestades e ciclones é tão alta que o governo já tem um plano
para retirar seus 11 mil habitantes de lá e já fez um acordo com a
Nova Zelândia que os receberá.
Muitos governos vão enrolar as negociações até o novo presidente
dos Estados Unidos assumir o cargo e expor sua posição em relação
às mudanças climáticas. "Mais uma vez os países industrializados
usam o refrão temos que esperar pelos Estados Unidos, como uma
desculpa para não assumir suas responsabilidades. Barack Obama será
empossado em poucas semanas. É hora da comunidade internacional dar
um voto de confiança, parar de enrolar e prosseguir com o
trabalho", diz Stephanie.
Ativismo - Enquanto em Poznan as negociações estavam
paradas,ativistas do mundo inteiro se movimentavam para lembrar que
as medidasde combate às mudanças climáticas são urgentes e que o
tema tem que sertratado com seriedade. No Brasil, foram realizados
protestos nas setecidades onde o Greenpeace conta com grupos de
voluntários: Rio deJaneiro, Brasília, Salvador, São Paulo, Belo
Horizonte, Porto Alegre eManaus.