Negociações sobre mudanças climáticas entram na segunda fase

Notícia - 7 - dez - 2008
Brasil é o país mais qualificado para assumir a liderança do encontro, mas está perdendo esta oportunidade.

O Greenpeace instalou uma Estação de Resgate Climático do lado de uma mina de carvão na Polônia. O país que recebe a reunião da ONU sobre mudanças climáticas que definirá o acordo para a segunda etapa do Protocolo de Kyoto é um dos 20 maiores poluidores do mundo, graças à sua dependência energética no carvão.

Depois de uma semana sem nenhum avanço, a 14ª Conferência das Partes (COP) da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, que está sendo realizada em Poznan, na Polônia, entra nesta segunda-feira (8/12), numa fase mais decisiva. Na quarta-feira (10/12) chegam ao encontro os ministros do meio ambiente dos países participantes, inclusive Carlos Minc. A ausência do primeiro escalão de negociações tem sido, até agora, a grande desculpa para os acordos não avançarem. Isso sem contar o jogo de empurra na discussão sobre as resposabilidades com a redução das emissões dos gases de efeito estufa.

"Todo mundo está esperando por alguém. Os delegados dos governos esperam pela chegada dos ministros, que, por usa vez, esperam um posicionamento americano, mas a crise climática é urgente e não espera por ninguém", disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace, que acompanha o encontro em Poznan.

O Brasil poderia liderar essa discussão. "O Brasil é o país melhor qualificado em termos de redução de emissão de carbono. Nossa matriz é limpa, temos a maior floresta tropical do mundo, portanto um grande estoque de carbono, e dominamos a tecnologia do biocombustível. No entanto, o governo brasileiro teima em não assumir a responsabilidade de liderar as negociações internacionais", avalia Adário.

As menores nações, aquelas que serão mais atingidas pelos efeitos das mudanças climáticas, são as mais empenhadas nas negociações. "A única liderança visionária a estas conversações vem de Tuvalu, um pequeno país que já convive com os problemas causados pela elevação de 1,5º C na temperatura média", afirmou Stephanie Tunmore do Greenpeace Internacional. A elevação do nível do mar já coloca o arquipélago de 11 ilhas, localizado ao Sul do Oceano Pacífico, em risco. A grande incidência de inundações causadas por tempestades e ciclones é tão alta que o governo já tem um plano para retirar seus 11 mil habitantes de lá e já fez um acordo com a Nova Zelândia que os receberá.

Muitos governos vão enrolar as negociações até o novo presidente dos Estados Unidos assumir o cargo e expor sua posição em relação às mudanças climáticas. "Mais uma vez os países industrializados usam o refrão temos que esperar pelos Estados Unidos, como uma desculpa para não assumir suas responsabilidades. Barack Obama será empossado em poucas semanas. É hora da comunidade internacional dar um voto de confiança, parar de enrolar e prosseguir com o trabalho", diz Stephanie.

Ativismo - Enquanto em Poznan as negociações estavam paradas,ativistas do mundo inteiro se movimentavam para lembrar que as medidasde combate às mudanças climáticas são urgentes e que o tema tem que sertratado com seriedade. No Brasil, foram realizados protestos nas setecidades onde o Greenpeace conta com grupos de voluntários: Rio deJaneiro, Brasília, Salvador, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre eManaus. 

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