Curtume no Bioma Amazônia
A Nike anunciou nesta quarta-feira que não usará mais em seus
produtos couro proveniente de animais criados no Bioma Amazônia. A
decisão da empresa só será revertida se for "estabelecido um
sistema confiável de governança, com rastreabilidade total de
produtos da pecuária e a garantia de que esses produtos não estejam
causando desmatamento".
Veja
aqui a tradução do documento assinado pela Nike.
Para assegurar o cumprimento dessa política, a Nike vai pedir,
por escrito, uma declaração de seus fornecedores atestando que o
couro vendido à empresa não vem de gado criado no bioma Amazônia. A
Nike deu aos seus fornecedores um prazo até julho de 2010 para
implementar um sistema eficiente de rastreabilidade, que comprove
que seu couro não é originário do bioma amazônico. Caso isso não
aconteça, a empresa estenderá a moratória à compra de couro para
toda a região da Amazônia Legal.
A decisão da Nike é prova de que os mercados consumidores vão
cada vez mais exigir da pecuária brasileira a adoção de práticas de
sustentabilidade e, sobretudo, o fim da expansão de áreas de pasto
sobre zonas de floresta. "A indústria da pecuária precisa valorizar
o produto brasileiro no mercado internacional e garantir que não
haja mais derrubada de árvores para a criação de gado. Qualquer
iniciativa que apóie o desmatamento zero na região é um passo
importante para garantir que a produção de gado na Amazônia não
impulsione a destruição da floresta", afirmou André Muggiati, do
Greenpeace.
Em junho o Greenpeace lançou o relatório "Farra do
Boi na Amazônia" apontando a relação entre o desmatamento na
Amazônia, a indústria da pecuária e grandes marcas internacionais,
entre elas a Nike. No relatório, o Greenpeace demonstra como o
couro de animais criados em áreas desmatadas da Amazônia é
exportado para a China, pela empresa brasileira Bertin, onde entra
na cadeia de abastecimento de empresas de alcance global.
Além da Nike, a italiana Natuzzi (móveis e estofados) também
anunciou esta semana o compromisso de excluir produtos originários
de áreas desmatadas de suas linhas de produção.Infelizmente, outras
grandes marcas como a Adidas, Reebok e Clarks ainda se recusam a
seguir o mesmo caminho. Todas essas empresas recebem couro da
Bertin, que ainda não se comprometeu com o desmatamento zero na
Amazônia, onde ela controla diversos abatedouros de gado.
"A decisão da Nike indica como o mercado vai operar daqui para
frente. O Brasil terá que reestruturar sua cadeia produtiva se
quiser continuar atendendo clientes internacionais e consumidores
exigentes", afirma Muggiati. A Nike e a Natuzzi também assumiram
compromissos com a erradicação do trabalho escravo, proteção de
terras indígenas e áreas de conservação.