ONGs protestam contra acordo que permite redução da reserva legal na Amazônia

Notícia - 14 - ago - 2008
Ministros do Meio Ambiente e da Agricultura admitem o plantio de espécies exóticas como o dendê na região. Na prática, isso incentiva o desmatamento.

Confira abaixo a íntegra da nota que entidades ambientalistas do Grupo de Trabalho (GT) Florestas divulgaram contra o acerto entre Carlos Minc e Reinhold Stephanes. A posição das ONGs, que participaram da elaboração do Pacto do Desmatamento Zero, em outubro, fez com que Minc convocasse uma reunião para segunda-feira para discutir o assunto com as entidades:

No dois pra lá, dois prá cá, quem dança é a floresta

Acordo anunciado pelos Ministros do Meio Ambiente e da Agricultura reduz proteção da Amazônia e rompe compromisso público de Minc

Contrariando seu discurso de posse, quando afirmou que o Presidente Lula não permitiria a redução da Reserva Legal na Amazônia, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou acordo com o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para possibilitar que os produtores rurais possam fazer a recuperação da reserva legal com espécies exóticas. Isso significa na prática a redução da reserva legal de 80% para 50% na Amazônia, pois monoculturas de espécies exóticas não cumprem a função ecológica prevista no Código Florestal.

A proposta é a mesma do projeto de lei 6424/05, conhecido como Floresta Zero, de autoria do Senador Flexa Ribeiro, por permitir bacias hidrográficas sem cobertura florestal. A possibilidade de compensação de reserva legal em outra bacia hidrográfica desestimula a recuperação de áreas degradadas e mantém o cenário de desequilíbrio ambiental promovido pelos desmatamentos.

Consideramos fundamental que qualquer discussão ou negociação em torno do Código Florestal seja feita de forma transparente e com participação da sociedade civil e da comunidade científica. Esse debate precisa levar em conta os demais biomas brasileiros, igualmente importantes.

Aprimorar o Código Florestal, na lógica de otimizar o uso de áreas desmatadas e impedir novos desmatamentos é uma perspectiva positiva do ponto de vista socioambiental. Para tanto, é fundamental que as mudanças consolidem um entendimento comum de valorização da floresta.

As entidades abaixo assinadas reconhecem que é indispensável para o País promover o desenvolvimento econômico sustentável e a geração de empregos. Combinar esses fatores à conservação e recuperação dos recursos naturais, garantindo a integridade dos ecossistemas é nosso desafio.

A crise climática global e o papel dos desmatamentos na emissão de gases de efeito estufa exigem uma postura enérgica de controle dos desmatamentos e manutenção dos ativos florestais existentes no País. Recente estudo divulgado pela Embrapa sobre "Aquecimento global e a nova geografia da produção agrícola no Brasil" demonstra que o aquecimento global deve alterar profundamente a configuração da agricultura no Brasil e provocar perdas de R$ 7 bilhões.

Infelizmente, no governo Lula, vale a máxima de Schelling: "não existe absurdo que não encontre o seu porta-voz".

Amigos da Terra - Amazônia Brasileira

Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida - Apremavi

Conservação Internacional - CI

Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento - FORMAD

Instituto Centro de Vida - ICV

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia - IPAM

Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia - IMAZON

Instituto Socioambiental - ISA

Greenpeace

Grupo de Trabalho da Amazônia - GTA

Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz

WWF Brasil

Fórum Carajás

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