Vida nova para os mares da Bahia

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Notícia - 4 - jun - 2009
Nova reserva extrativista de Cassurubá beneficiará pescadores e vida marinha. A unidade de conservação terá mais de 100 mil hectares e será instalada nos manguezais da região de Abrolhos, no sul da Bahia.

Na região de Abrolhos, a exploração de petróleo e a carcinicultura ameaçam uma grande área de algas calcáreas, que funcionam como depósitos de carbono.

O Brasil ganhou nesta sexta-feira (5/6) mais uma unidade de conservação, a reserva extrativista do Cassurubá, a ser instalada nos manguezais da região de Abrolhos (BA). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a Caravelas, no sul da Bahia, e assinou o decreto de criação da reserva, que deverá beneficiar cerca de mil famílias de pescadores e marisqueiros da região.

Na oportunidade, também foram anunciadas a expansão do Parque Nacional do Pau Brasil (BA), as reservas extrativistas de Prainha do Canto Verde (CE) e Renascer (PA) e o Monumento Natural Talhado do São Francisco (Caatinga).

"A criação de áreas marinhas protegidas é importante para o meio ambiente e a reserva de Cassurubá é um avanço nesse sentido. No entanto, ainda há muito por fazer, como por exemplo, a zona de amortecimento de Abrolhos", afirma Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Oceanos do Greenpeace.

A nova reserva extrativista abrange uma área de mais de 100 mil hectares de estuários, restingas, mangues e ambientes marinhos entre as cidades de Caravelas e Nova Viçosa, no sul da Bahia, contribuindo para a proteção dos principais ambientes costeiros do banco dos Abrolhos, onde estão 95% dos manguezais da região, considerados berçários de várias espécies de importância ecológica e econômica.

A criação da reserva era uma antiga demanda de pescadores e marisqueiros para proteger a região de ameaças como a especulação imobiliária e projetos de carcinicultura (criação de camarão), além da exploração de óleo e gás.

"A decisão do governo de criar a reserva de Cassurubá merece ser parabenizada, pois consagra uma luta das comunidades locais, ONGs e representantes do governo, em um processo de grande participação popular, em que todas as consultas públicas foram cumpridas", observa Renato Cunha, coordenador do Grupo Ambientalista da Bahia (Gamba).

De acordo com a Lei 9.985/00, as reservas extrativistas (Resex) são unidades de conservação de uso sustentável, categoria que tem como objetivo harmonizar a exploração dos recursos naturais renováveis e o bem-estar sócio-cultural das comunidades locais com a conservação da biodiversidade.

Ronaldo Oliveira, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), alerta para o fato de que a criação formal da resex é apenas um passo para alcançar seus objetivos.

"A necessidade de organização comunitária agora se amplia, pois cabe à população tradicional participar ativamente da gestão da unidade. Somente com união e pressão sobre o estado brasileiro serão conquistados direitos que garantirão a sustentabilidade socioambiental da região", disse Ronaldo Oliveira.

Guilherme Dutra, biólogo e diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil), explica que somada à importância para a conservação da biodiversidade do banco dos Abrolhos, o estuário do Cassurubá apresenta grande interesse econômico e social.

"Grande parte das espécies de interesse para a pesca completa uma porção de seu ciclo de vida no estuário do Cassurubá", afirma.

Espécies - Na área da reserva extrativista de Cassurubá dá-se a extração de caranguejo-uçá, guaiamum, siri, aratu e vários moluscos. Três espécies de tartarugas-marinhas - tartaruga-verde, tartaruga-de-pente e tartaruga-cabeçuda - também são frequentemente encontradas na área da reserva. A unidade de conservação marinha também ajudará a proteger várias espécies de crustáceos e peixes marinhos ameaçadas de extinção, como o camarão-rosa, camarão-sete-barbas, mero e cioba.

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