O plano indiano de combate às mudanças climáticas peca por não priorizar a redução da energia gerada por térmicas a carvão, uma das grandes fontes da Índia de emissão de CO2.
A notícia do lançamento, esta semana, do Plano Nacional de Ação
contra as Mudanças Climáticas da Índia foi recebida com preocupação
pelo Greenpeace. Embora seja um começo, o documento não tem
objetivos concretos ou metas nacionais a serem alcançados. Os
detalhes do plano só serão apresentados em dezembro.
Os princípios nos quais o plano foi baseado mostram uma clara
mudança de posição do governo que passou do "crescimento a qualquer
preço" para uma posição que reconhece a necessidade alinhar o
desenvolvimento com a redução das emissões.
"Foi um avanço, mas ainda é pouco", afirmou Srinivas
Krishnaswamy, consultor de políticas públicas do Greenpeace
Índia.
O plano indiano consiste em oito programas, chamados de missões:
investimento em energia solar, aumento da eficiência energética,
criação de um ambiente sustentável, conservação da água,
preservação do ecossistema do Himalaia, criação de uma índia
'verde', criação de uma agricultura sustentável e o estabelecimento
de "uma plataforma de conhecimento estratégico sobre mudanças
climáticas".
"A missão de energia solar é o grande avanço do plano, enquanto
a maior decepção é a falta de ambição semelhante para a eficiência
energética", afirmou Srinivas.
O objetivo da Índia é gerar 42 gigawatts (GW) de fontes
renováveis (quase metade da energia elétrica produzida no Brasil
hoje), meta que se aproxima ao indicado no relatório [R]evolução Energética, elaborado pelo
Greenpeace. O estudo diz que o país precisaria chegar aos 49 GW até
2006 para reduzir suas emissões de forma efetiva.
Entretando o plano tem duas falhas importantes: ignora
totalmente a prioridade de reduzir a geração de energia com
térmicas a carvão e tem uma meta de eficiência energética pouco
ambiciosa.
O plano prevê redução de 10 GW no consumo de energia até 2012 .
Apenas a eliminação progressiva das lâmpadas incandescentes e a
substituição da tecnologia CFL disponível atualmente conseguiria
uma economia de 12 GW até 2010. O grande nó do plano de eficiência
é que ele está concentrado nos esforços voluntários e mecanismos de
mercado, o que definitivamente não vai levar ao cumprimento das
metas. No lugar de propor as mudanças possíveis, deveria haver uma
mudança das normas obrigatórias e dos incentivos financeiros.
Enquanto a Índia patina em um plano pouco ambicioso, a China
tende a se tornar líder em energia limpa.
"Países como China e a Índia estão se mexendo para vencer o
desafio crescer economicamente em um tempo em que as mudanças
climáticas são um grande desafio. É hora dos países desenvolvidos
pararem de usar China e Índia como desculpa para sua falta de ação.
O tempo para o planeta está se esgotando", disse Ailun Yang, da
campanha de clima do Greenpeace China.
O Brasil, ao lado de China e Índia, é um país chave nas
negociações internacionais sobre mudanças climáticas porque também
é um grande emissor de gases do efeito estufa. O governo brasileiro
também deve desenvolver seu plano nacional sobre mudança do clima,
entretanto, o plano brasileiro deve necessariamente incluir metas
nacionais.
"O plano nacional sobre mudança do clima brasileiro deve ser
sério e ambicioso ao ponto de estabelecer metas, ainda que
nacionais, de redução de emissões de forma clara e efetiva no campo
do desmatamento e da eficiência energética", disse Luís Piva,
coordenador da campanha de Clima do Greenpeace Brasil.
Para Piva o país se fortalecerá e muito nas negociações
internacionais sobre clima ao apresentar sua proposta para combater
a mudança climática.
"O Brasil precisa demonstrar ao mundo e à sociedade brasileira
que tem uma proposta concreta sobre redução de emissões. O
presidente Lula declarou que os países emergentes também devem
assumir metas de redução de emissões proporcionais às emissões de
cada país, com a condição de que os países desenvolvidos cumpram
suas obrigações no Protocolo de Kyoto. O fato é que todos, sem
exceções, devem fazer sua lição de casa ao mesmo tempo e o Brasil já está atrasado com seu plano, que
deveria ter sido lançado no mês de abril", disse Piva.
O Greenpeace acredita que é possível evitar os piores impactos
das alterações climáticas - tais como eventos climáticos extremos,
da falta de água e do aumento da fome - colocando milhões de
pessoas em risco. Isso dependerá da forma como usamos e produzimos
energia, e de um forte compromisso de zerar o desmatamento em
todo o mundo.
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