O futuro nas hidrelétricas

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Notícia - 13 - dez - 2009
Num evento oficial do governo brasileiro na COP15, o Brasil deu mostras de força política e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, mostrou seus pendores para Fidel Castro.

Índia, China e México foram obsequiosos com a cerimônia e mandaram seus negociadores chefes para participarem da festa. Ela durou duas horas. Dilma ocupou mais da metade desse tempo com seu discurso. De importante, disse que as metas brasileiras de redução são voluntárias, mas legal e moralmente obrigatórias no plano nacional.

Insistiu também que sem hidrelétricas o Brasil não fará redução de emissões e anunciou que o governo pretende ampliar o parque de geração hídrica no pais em 40 mil megawatts até 2020. Em bom português, isso significa que o governo vai usar de todo o seu poder para ver a construção de Belo Monte sair e certamente tem planos para plantar mais hidrelétricas em rios da planície amazônica. Em meio ao seu discurso, Dilma tropeçou (ou será que ela acha mesmo isso?) e mandou uma frase que deixou a plateia boquiaberta: "o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento sustentável".

Dilma, como vem fazendo desde que chegou à Copenhague, comprimiu mais uma vez o espaço de Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente que estava presente à cerimônia. Ele ficou praticamente sem tempo para fazer seu discurso. Melhor assim, porque aparentemente o ministro não tinha muito a dizer. Sacou do bolso do colete o único tema com o qual ele aparentemente se sente confortável e deitou a falar da queda do desmatamento. Disse que ela é fruto das ações do governo no campo e das moratórias da soja e da compra de madeira ilegal no Pará.

Minc, claro, tratou de puxar as últimas duas sardinhas para seu lado e tomou para si e o governo o crédito por ambas moratórias. A da soja, no entanto, aconteceu em julho de 2006, muito antes de Minc sequer imaginar que estaria no governo federal. E ela nnao teve qualquer participação estatal. É fruto de um acordo costurado entre a Associação das Indústrias Brasileiras de Óleo Vegetal (Abiove) e uma coalizão de Ongs, entre as quais o Greenpeace.

Sobre a moratória na compra da madeira ilegal no Pará, nnao se sabe muito bem do que o ministro está falando. Afinal, há menos de um mês o Imazon publicou estudo mostrando que o Pará continua vendendo madeira e que 90% dela é de comércio ilegal. Minc, no entanto, não teve tempo de explicar exatamente o que queria dizer com essa história. Com o tempo comprimido por Dilma, ele ainda foi obrigado a encurtar sua fala por conta do protocolo diplomático. O negociador-chefe da China precisava dar o ar de sua graça no palanque e tomou o lugar do ministro brasileiro nos minutos finais do evento.

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