Nos últimos anos, o cultivo de soja se tornou uma das principais ameaças à floresta amazônica
O governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, deu um passo atrás em
sua recente conversão ao meio ambiente. E voltou a defender o
desmatamento da Amazônia, desta vez com a justificativa de produzir
mais alimentos. Em declaração à imprensa, Maggi afirmou que "com o
agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será
inevitável discutir se vamos preservar o ambiente do jeito que está
ou se vamos produzir mais comida".
Ao reforçar o velho paradigma meio ambiente versus
desenvolvimento, o governador do estado que mais desmata no Brasil
contradiz totalmente a posição que assumiu em Bali, durante a
reunião da ONU para discutir as mudanças climáticas, quando
procurou mostrar seu lado "verde" e foi aplaudido por isso, ou por
sua participação em outubro de 2007, no lançamento do Pacto pelo Desmatamento Zero. Naquela
ocasião, o governador havia advertido que "o leão do desmatamento
não estava morto, mas apenas dormindo". Os recentes dados que
mostram aumento na destruição florestal estimulada pelos preços
elevados de grãos e carne no mercado internacional indicam que o Leão despertou e está com
fome.
"A declaração do governador vem em um momento em que a Amazônia
se encontra sob fogo cerrado. Depois do anúncio do aumento nas
taxas de destruição florestal, da apresentação de um projeto na
Câmara dos Deputados que amplia o desmatamento em áreas privadas da
Amazônia e de uma medida provisória que anistia grileiros, o
agronegócio brasileiro vem querer aproveitar a crise mundial de
alimentos, de maneira oportunista, como justificativa para o ataque
à floresta", disse Paulo Adario, coordenador da campanha da
Amazônia do Greenpeace.
Para a organização ambientalista, o dilema entre desmatar ou
passar fome é falso. A distribuição injusta de alimentos é um
fator-chave para a crise. Há comida suficiente para alimentar todos
os seres humanos do planeta, mas muitos grãos estão deixando de ser
utilizados como alimento para serem usados na produção de
biocombustíveis ou de ração animal para atender a crescente demanda
por carne, principalmente nos países desenvolvidos.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por pelo
menos um quarto das emissões de gases que provocam o efeito estufa.
No caso do Brasil, o índice sobe para 75%. Destruir a Amazônia
significa comprometer a capacidade de produção brasileira, já que
as chuvas que caem nas regiões Centro-Sul e Sudeste do País e em
outros países da América Latina são produzidas na região. Portanto,
a manutenção da floresta é essencial para manter a grande
produtividade agrícola não apenas do Mato Grosso, mas do
Brasil.
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