Uma onda verde em defesa da Amazônia tomou conta do plenário do
Senado, em Brasília, entre a noite desta quarta-feira (13/5) e a
madrugada de quinta (14), numa vigília de mais de oito horas com a
participação de centenas de pessoas, entre parlamentares,
ambientalistas, cientistas, artistas e líderes indígenas. Os atores
Christiane Torloni e Victor Fasano levaram ao plenário um
abaixo-assinado com mais de 1,1 milhão de assinaturas contra a
destruição da floresta e conseguiram o compromisso de todos os
presentes pela preservação da Amazônia.
Confira aqui os bastidores da vigília.
O Greenpeace esteve presente durante o ato e o diretor de
campanhas Sérgio Leitão fez um dos discursos mais contundentes da
noite, apontando os muitos projetos que tramitam no Congresso
brasileiro que ameaçam a região amazônica.
"Esses projetos estão na contra-mão dos compromissos assumidos
pela Constituição de 1988", afirmou Sérgio Leitão, durante sua
exposição no painel sobre as ameaças que pairam sobre a Amazônia.
"O que quer a bancada ruralista? Estabelecer um concurso de
maldades no país para ver quem promove mais a destruição? O
agronegócio tem que fazer um pacto de paz com o país e parar de
destruir o meio ambiente."
Sérgio Leitão também cobrou os parlamentares por um compromisso
mais firme em relação à preservação. "O compromisso que muitos
estão fazendo aqui, nesta noite, é para valer ou só vale enquanto
as câmeras de TV estiverem ligadas?"
A vigília pela Amazônia começou às 19h30 com uma mesa formada
pelo ministro Carlos Minc (Meio Ambiente); os presidentes da Câmara
e Senado, respectivamente Michel Temer e José Sarney; o líder da
bancada ambientalista Sarney Filho; os senadores Idelil Salvati e
Renato Casagrande (que presidiram a sessão) e os atores Christiane
Torloni e Victor Fasano. Antes das autoridades fazerem os seus
discursos, a pajé Zeneida Lima, da ilha de Marajó (PA), cantou uma
música de sua autoria, "Funeral da Natureza", levando o presidente
da Câmara dos deputados, Michel Temer, a emendar: "o funeral da
natureza pode ser o funeral da humanidade".
Ao longo da noite, foram muitos os discursos políticos e
técnicos feitos no plenário do Senado, exaltando a importância
política, econômica e ambiental da Amazônia para o Brasil e o
mundo. Sarney afirmou que "quem tem a Amazônia não tem medo do
futuro", enquanto que o ministro Minc alertou para "as ofensivas
que tentam reduzir a proteção ambiental no Brasil".
"Temos proteção de menos, não a mais. Estou muito preocupado",
afirmou o ministro.
Minc pediu uma salva de palmas para sua antecessora, a senadora
Marina Silva, que aproveitou a presença de Temer e Sarney na
solenidade para entregar a ambos os projetos prioritários para a
preservação da Amazônia que tramitam na Câmara e Senado.
"Os projetos que ajudam a destruir a floresta são mais fáceis de
serem aprovados do que os que defendem a Amazônia", disse ela,
lembrando que a MP 458 sobre a regularização fundiária estava em
votação naquele mesmo instante pelos deputados federais e foi
aprovada sem o devido cuidado para evitar prejuízos na cessão de
terras públicas na região amazônica.
Marina ainda provocou o ministro de Assuntos Estratégicos,
Mangabeira Unger, que foi convidado para participar da vigília mas
não compareceu.
"Um verdadeiro democrata não foge ao debate", disse ela,
elogiando Carlos Minc por estar presente.
Além do Greenpeace, outras entidades da sociedade civil
participaram ativamente da vigília, analisando em suas exposições
os principais problemas e soluções para a floresta. Estiveram
presentes o Instituto de Pesquisas da Amazônia (Ipam), a Comissão
Pastoral da Terra (CPT), a Coordenação das Organizações Indígenas
da Amazônia Brasileira (Coiab), Fórum Brasileiro de ONGs e
Movimentos Sociais (FBOMS), Amigos da Terra, Movimento dos
Atingidos por Barragens (MAB), Confederação Nacional das
Associações dos Quilombolas, Conselho Nacional dos Seringueiros,
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Embrapa, Imazon e
Instituto Socioambiental, entre ourtos.