Gado deixa rastro em área destruída para a pecuária.
O Greenpeaace decidiu, na manhã de hoje, não enviar nenhum
representante à audiência pública da comissão de agricultura do
Senado, que será realizada hoje, às 15 horas, não em Brasília, mas
na Assembleia Legislativa do Pará, em Belém. A audiência foi
convocada para discutir o conteúdo do relatório 'A Farra do Boi na
Amazônia', lançado pelo Greenpeace no início de junho.
Infelizmente, o Greenpeace, depois de passar seis horas ontem, dia
1ª de julho, na comissão de meio ambiente da Câmara dos Deputados
para debater o tema da rastreabilidade da produção de carne - um
dos pontos levantados pelo nosso relatório - percebeu que a bancada
ruralista do Pará não quer discussão.
Durante três horas seguidas, os deputados paraenses, os únicos
presentes em peso à reunião da comissão na Câmara, limitaram-se a
vociferar insultos e ofensas contra o Greenpeace. Bateram no peito
para berrar que a Ong deveria ser expulsa do país, desfiaram
ameaças e se enrolaram na bandeira nacional para defender o
desmatamento. Mas em nem um momento sequer, se dispuseram a
discutir as denúncias que fazem parte do relatório divulgado pelo
Greenpeace, um sinal claro de que seu conteúdo é um retrato fiel da
situação do gado na Amazônia em geral, e no Pará em particular.
Os ruralistas sequer aceitaram discutir com os representantes do
Ministério Público Federal presente à audiência na Câmara, a ação
recentemente impetrada pelos procuradores para combater a
ilegalidade que ronda a produção da carne no Pará. Os deputados
reclamaram de injustiça e clamaram para que o MPF suspendesse ou
retirasse a ação. Houve deputado que ameaçou os procuradores com
processo e pedido de perda de função.
Diante do que aconteceu ontem, o Greenpeace considerou inútil
comparecer à audiência de hoje em Belém. A perspectiva era a de
ficar horas ouvindo novamente ameaças e impropérios de políticos
que estão apenas interessados em posar para seus currais eleitorais
no Pará. Além disso, havia também uma preocupação com a segurança
de todos os participantes da audiência em Belém. Os sindicatos
rurais do estado e a Federação de Agricultura e Pecuária do Pará
(Faepa) estavam convocando, com tons hostis, manifestações para
hoje na capital paraense.
Levando-se em conta a virulência do discurso dos deputados
ruralistas ontem na Câmara, o Greenpeace foi obrigado a considerar
a possibilidade de haver violência. A direção da Ong enviou ofício
ao governo estadual pedindo garantias e reforço policial. Não
obteve resposta. O presidente da comissão de agricultura do Senado,
Valter Pereira (PMDB-MS), também não tinha obtido, até o meio da
tarde de ontem, qualquer resposta do governo estadual sobre a
questão da segurança em torno da reunião.
O Greenpeace reitera que continua aberto ao debate sobre meios
para modernizar a indústria da carne brasileira, afim de prepará-la
para uma competição cada vez mais renhida por mercados
internacionais e evitar que o gado continue a ser o principal vetor
de desmatamento na Amazônia.