Carrefour, Wal-Mart e Pão de Açúcar suspendem compras de frigoríficos envolvidos no desmatamento da Amazônia
Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour, em nota também assinada pela
Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) anunciaram a
suspensão de compras de produtos bovinos de 11 empresas
frigoríficas do estado do Pará, incluindo a Bertin, por não terem
garantias de que a carne não vem de áreas desmatadas na Amazônia. A
decisão é resultado da ação civil pública (ACP) do Ministério Público
Federal (MPF) no Pará, que encaminhou, na semana passada,
recomendação às grandes redes de supermercados e outros 72
compradores de produtos bovinos para que parem de comprar carne
proveniente da destruição da floresta. O descumprimento do pedido
pode resultar em multa de R$ 500,00 por quilo de produto
comercializado.
A medida dos varejistas também foi resultado do relatório sobre
a pressão que o gado exerce sobre a Amazônia, lançado há apenas dez
dias. "A ação é um repúdio às práticas denunciadas pelo Greenpeace.
O setor supermercadista, através da Abras não irá compactuar com as
ações denunciadas e reagirá energicamente", diz a nota. "Os
frigoríficos que atuam na Amazônia precisam se comprometer
imediatamente a parar de comprar gado de fazendas que desmatam",
disse André Muggiati, do Greenpeace.
Os supermercados solicitaram aos frigoríficos que
apresentem ao Ministério Público um plano de auditoria
socioambiental, realizado por empresa independente, sobre a origem
do gado que comercializam. O MPF já havia pedido aos supermercados
e empresas notificadas que implementem sistemas de identificação
sobre a origem do produto bovino.
Além disso, o Ministério Público Federal pretende ampliar as
ações de combate ao desmatamento com responsabilização da cadeia
produtiva da pecuária para outros estados da Amazônia, como Mato
Grosso e Rondônia.
O Greenpeace lançou na semana passada o relatório "A Farra do Boi na Amazônia" apontando a
relação entre empresas frigoríficas envolvidas com desmatamento
ilegal e trabalho escravo com produtos de ponta comercializados no
mercado internacional. Para piorar, o governo brasileiro financia e
tem participação acionária nas principais empresas pecuárias que
atuam na Amazônia. O frigorífico Bertin é uma das empresas
apontadas pelo Greenpeace como responsáveis pela compra de gado de
fazendas que desmataram ilegalmente a floresta Amazônica,
distribuindo no Brasil e mundialmente os produtos derivados dos
animais.
Leia abaixo a nota dos supermercados:
ABRAS repudia práticas denunciadas
pelo Greenpeace.
Wal-Mart, Carrefour e Pão de Açúcar
suspendem as compras de fazendas envolvidas no desmatamento da
Amazônia e deverão trabalhar com auditoria de origem.
Em reunião realizada na Associação
Brasileira de Supermercados (Abras), no dia 8 de junho, as três
maiores redes de supermercados do País, Carrefour, Wal-Mart e Pão
de Açúcar decidiram suspender as compras das fazendas envolvidas no
desmatamento da Amazônia. A ação é um repúdio às práticas
denunciadas pelo Greenpeace. O setor supermercadista, através da
Abras não irá compactuar com as ações denunciadas e reagirá
energicamente.
A posição definida pelas empresas
inclui notificar os frigoríficos, suspender compras das fazendas
denunciadas pelo Ministério Público do Estado do Pará e exigir dos
frigoríficos as Guias de Trânsito Animal anexadas às Notas Fiscais.
Como medida adicional, as três redes solicitarão, ainda, um plano
de auditoria independente e de reconhecimento internacional que
assegure que os produtos que comercializam não são procedentes de
áreas de devastação da Amazônia.
Trata-se de uma resposta conjunta
setorial ao relatório publicado pelo Greenpeace no início deste mês
e conseqüente ação civil pública do Ministério Público Federal do
Pará, que encaminhou recomendação às grandes redes de supermercados
e outros 72 compradores de produtos bovinos para que deixem de
comprar carne proveniente da destruição da floresta.