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Um estudo elaborado pelo Greenpeace
Internacional neste ano mostra que 57 das 60 maiores empresas
alimentícias do mundo tomaram a decisão de não comercializar
produtos transgênicos na União Européia - algumas estenderam essa
política para suas vendas em todo o mundo. Da lista constam grandes
nomes como Carrefour, Oetker, Heinz, Kellogg e Heineken.
Diante desse cenário, o Paraná, que se declarou um Estado livre
de transgênicos, destaca-se no mercado mundial como grande
fornecedor de soja convencional e orgânica. "No momento em que os
25 países da União Européia se fecham para produtos geneticamente
modificados, é importante que o Brasil aproveite a oportunidade de
manter sua exclusividade no fornecimento de alimentos sem
transgênicos. Para isso, outros Estados deveriam seguir o exemplo
paranaense", disse Frank Guggenheim, diretor-executivo do
Greenpeace Brasil.
O relatório sobre o mercado europeu foi apresentado por Lindsay
Keenan, analista de mercado do Greenpeace Internacional, durante
coletiva de imprensa realizada em Curitiba nesta segunda-feira, dia
28, com a presença do governador do Paraná, Roberto Requião.
"Quando empresas com vendas anuais de 650 bilhões de euros
implementam uma política contra transgênicos, fica evidente uma
grande, consistente e duradoura demanda por produtos que não
contenham organismos geneticamente modificados. Se o Brasil não
suprir essa demanda, algum outro país ocupará esse espaço no
mercado", afirmou Keenan.
A rejeição a alimentos transgênicos não é exclusividade da União
Européia. No Brasil, cerca de 80% dos consumidores são contra a
liberação de transgênicos, segundo pesquisa realizada pelo Iser
(Instituto de Estudos da Religião) em 2004.
Outros grandes mercados como a China também começam a exigir
produtos sem modificação genética. Desde que o Greenpeace lançou
seu guia de produtos com ou sem transgênicos na China, em abril do
ano passado, 52 empresas se comprometeram a não utilizar
matéria-prima transgênica em seus produtos. Entre elas estão
Lipton, Danone e Carlsberg.
Na China, a pressão por alimentos livres de transgênicos parte
dos consumidores. Um estudo realizado em 2004 pela Ipsos, empresa
internacional de pesquisa de mercado, indicou que dos 600
entrevistados em Beijing, Shanghai e Guangzhou (os três maiores
centros econômicos da China), 57% não querem produtos transgênicos.
O crescimento da rejeição é significativo, uma vez que no ano
anterior esse índice era de 34%.
Países pioneiros na utilização e comercialização de
transgênicos, como Estados Unidos e Argentina, negam aos
consumidores o direito de não consumir transgênicos, tornam os
agricultores reféns de corporações de transgenia e causam graves
problemas ambientais. "Ao se manter um Estado livre de
transgênicos, o Paraná está respeitando a vontade dos consumidores
no Brasil e no exterior, os agricultores e o meio ambiente",
analisa Guggenheim.
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