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O Greenpeace, em parceria com a Campanha por Um
Brasil Livre de Transgênicos, protestou na manhã de hoje (28)
contra a tentativa de controle corporativo da alimentação mundial
praticado pela Monsanto e outras empresas de biotecnologia. O
objetivo é denunciar a República da Soja, que consiste em imensas
áreas contínuas de plantios do grão no Brasil, Argentina, Uruguai,
Paraguai com projetos de expansão para a Bolívia. Veja as fotosEssas áreas são
objeto de um plano de domínio de um pequeno grupo de indústrias de
biotecnologia agrícola, com a intenção de aumentar o número de
áreas com plantio de culturas transgênicas. Entre essas empresas, a
mais agressiva é a Monsanto, cujas sementes têm o domínio absoluto
do mercado de transgênicos.O protesto do Greenpeace e das outras
entidades, que contou com a participação de cerca de 200 pessoas,
consistiu na fixação de uma placa de ferro no chão, em frente ao
prédio da Monsanto em Porto Alegre, que a partir de agora passa a
ser conhecido como Consulado da República da Soja.Ao término do
protesto, representantes das entidades tentaram, em vão, entregar
uma carta com as demandas do grupo a representantes da Monsanto.
Porém, a empresa encontrava-se vazia há três dias, de acordo com
informações prestadas pelos funcionários do edifício. "Na terceira
edição do FSM, também tentamos entregar à empresa nossas
reivindicações e não fomos recebidos pelos funcionários, que
escaparam pela garagem. Trata-se de total descaso para com a
sociedade civil e parte significativa da população, que quer ver
seus direitos respeitados", afirma Gabriela Couto, da campanha de
engenharia genética do Greenpeace. Quando o grupo estava de saída
do local, um advogado da Monsanto apareceu e se comprometeu a
entregar a carta à companhia. O Greenpeace considera o plantio de
transgênicos um atentado contra a biodiversidade e a soberania
alimentar, com o objetivo de obter o controle corporativo das
atividades agrícolas. "Essa prática é repudiada pelas organizações
participantes do Fórum presentes ao protesto, que seguirão
resistindo aos transgênicos e à tentativa de monopólio da produção
agrícola por parte das grandes empresas de biotecnologia", diz
Gabriela Couto.Além disso, a organização pede o fim da promoção de
sementes geneticamente modificadas e a interrupção imediata do
desmatamento para plantio de soja. Este fenômeno já é visível na
Argentina e na Amazônia Brasileira, onde a soja está substituindo
áreas de florestas nativas. "Na Argentina muitos produtores já se
deram conta de que a produção de transgênicos é um beco sem saída",
afirma Emiliano Ezcurra do Greenpeace Argentina.O Greenpeace
Argentina também lançou, hoje, durante o FSM, o relatório de
Charles Benbroock, "A Expansão da Fronteira da Soja - A perigosa
confiança da Argentina na soja geneticamente modificada" (1). O
estudo demonstra os impactos ambientais das plantações de
transgênicos do país. "A reflexão sobre as evidências reveladas
nesse estudo indica que a forte aposta da Argentina, há oito anos,
sobre os transgênicos, trouxe terríveis consequências ambientais,
sem as vantagens sociais e ambientais antes prometidas",
acrescentou Ezcurra.As organizações da sociedade civil também
exigem que a Monsanto assuma a responsabilidade pela contaminação
por sementes transgênicas nos campos e seus impactos
socioambientais."Os produtores devem ter respeitado o seu direito
de seguir plantando variedades convencionais, não modificadas, sem
ter suas plantações contaminadas por transgênicos", afirma Gabriela
Couto. Além disso, os consumidores devem continuar tendo o direito
de acesso a produtos transgênicos.Além do Greenpeace participam da
campanha cerca de 80 organizações da sociedade civil. Ao mesmo
tempo, o Greenpeace e outras organizações francesas contrárias aos
transgênicos convocaram uma manifestação pacífica no porto de
Lorient, para aguardar a chegada de um carregamento de 30 mil
toneladas de soja geneticamente modificada. No início desta semana,
o barco Esperanza, do Greenpeace, interceptou este carregamento de
transgênicos e o seguiu até a França. A bordo do navio, com os
ativistas do Greenpeace, estava Jose Bove, representante do
movimento dos pequenos agricultores franceses.
| Nota:(1) O relatório de Charles M.
Benbrook "A Expansão da Fronteira da Soja - A perigosa confiança da
Argentina na soja geneticamente modificada" está no CD distribuído
pelo Greenpeace durante o protesto |
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