Notícia - 25 - jun - 2007
Ração dada por Assumpta Codinachs a seus bois tinha soja e milho transgênico da Monsanto. Compreensão de clientes evitou grande prejuízo.
Assumpta Codinachs teve que enviar carta a seus clientes para explicar que seu gado perdera a certificação de orgânico por causa de contaminação de transgênicos.
A pecuarista Assumpta Codinachs, do povoado de Pobellà, na
região dos Pirineus (norte da Espanha), sempre comprou ração para
seus animais de localidades próximas. Ela produz gado ecológico
certificado pelo Conselho Catalão de Produção Agrária Ecológica
(CCPAE) e vende apenas para clientes locais, sem passar por
intermediários - como supermercados.
Em 2003, sofreu seu primeiro caso de contaminação transgênica.
Fez testes na ração certificada que oferecia a seu gado e foi
encontrada nela soja geneticamente modificada - apesar da ração não
conter soja em sua composição. A certificadora imediatamente
retirou o certificado de orgânico do gado de Assumpta e apreendeu a
ração. Com medo de perder mercado para seus produtos, o CCPAE
preferiu ocultar o caso, mesmo sabendo que havia outros casos
semelhantes ao da pecuarista na região.
"As pessoas têm medo de dizer que estão contaminadas por causa
das possíveis retaliações dos consumidores. Têm medo de que
aconteça como no caso da história da vaca louca, e que no final não
consigam vender sua carne", diz Assumpta.
Em 2007, Assumpta sofreu com novo caso de contaminação. Cerca de
40 amostras de ração bovina foram colhidas e testadas em sua região
e apareceram vários casos positivos. Na ração usada por Assumpta,
foram encontrados traços de soja transgênica RoundupReady e milho
MON810, ambos da Monsanto. Mais uma vez, Assumpta perdeu seu
certificado de gado orgânico e sua ração foi apreendida.
"No final das contas, os maiores prejudicados somos nós que
praticamos a agropecuária da maneira mais limpa e benéfica para o
meio ambiente", diz ela.
Para se precaver, a pecuarista enviou uma carta a seus 15 grupos
de clientes depois deste último caso de contaminação. E, segundo
ela, todos reagiram muito bem, evitando assim um grande
prejuízo.
"Eles sabem que nós também somos vítimas. Eles vão continuar
comprando meus produtos, mas eu poderia ter perdido a venda de 15
toneladas de carne, o que significaria um prejuízo de € 135
mil."