Notícia - 10 - dez - 2008
Em discurso na Conferência do Clima Minc defende que países em desenvolvimento assumam seu papel no combate ao aquecimento global.
Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, desbancou ontem, em
Poznan, na Polônia, o discurso da diplomacia brasileira que sempre
defendeu o princípio da responsabilidade comum, mas diferenciada -
ou seja, que é dos países industrializados, emissores históricos,
tenham um papel maior na luta pelo combate ao aquecimento global.
Essa tem sido a maior desculpa de países como Brasil, Índia e
China, para não assumir metas de redução de emissão dos gases do
efeito estufa.
Em evento paralelo para o lançamento do Plano Nacional de Mudanças do Clima e do Fundo
Amazônia, Minc comparou as mudanças climáticas a um avião com furos
em pleno vôo. E questionou o que os passageiros teriam que fazer:
procurar os culpados ou se juntar para resolver o problema. Minc
também fez um bom discurso na programação oficial. Ele defendeu a
criação de um fundo global para que os países em desenvolvimento
comprovadamente reduzam e evitem emissões e garantam os direitos
indígenas e de povos tradicionais.
"Condicionar o fundo ao respeito aos povos indígenas é
fundamental porque sem os índios fica muito mais fácil destruir a
floresta", disse Paulo Adário, diretor da campanha de Amazônia, que
acompanha em Poznan as discussões da Conferência do Clima.
Entre o discurso e a prática, no entanto, há um precipício. No
dia anterior ao discurso de Minc na Polônia, o presidente Lula assinava um decreto anistiando
por um ano as multas por desmatamento e o Supremo Tribunal Federal votava medidas que tiram
dos povos indígenas o direito de defender seus territórios.