Notícia - 30 - out - 2007
Assim a empresa evita a destruição de extensas áreas de floresta nativa em países como a Indonésia. A iniciativa também serve de alerta para o Brasil, que tem planos ambiciosos para os biocombustíveis.
Vista aérea mostra terra arrasada depois que queimadas destruíram a floresta na Indonésia para abrir espaço para plantação de dendê (palma), a ser usado como biocombustível.
A empresa petrolífera sueca OKQ8 anunciou nesta quarta-feira que
vai abandonar seus planos de usar óleo de palma em seu biodiesel
Eco20, evitando assim a destruição de florestas nativas em países
como a Indonésia. A decisão acontece pouco depois da longa campanha
feita pelo Greenpeace e outros grupos ambientalistas contra a
produção de óleo de palma, que promove o desmatamento por queimadas
para abrir espaço para imensas plantações.
Este é um aviso para o governo brasileiro de que o mercado
global pode se fechar para o etanol proveniente de plantações não
sustentáveis e que provoquem o desmatamento da Amazônia.
A empresa OKQ8 foi a primeira petrolífera da Europa a planejar o
lançamento de um biodiesel a base de óleo de palma. Antes de tomar
a decisão de abandonar o projeto, ativistas do Greenpeace passaram
dois dias no QG da OKQ8, estendendo um banner de 70 metros
quadrados com a imagem de um orangotango na mira de uma bomba de
gasolina, para mostrar a verdadeira face do óleo de palma.
"É inaceitável a conversão de florestas ou ecossistemas intactos
para a produção de etanol ou biodiesel, bem como colocar em risco a
produção de alimentos para a geração de combustíveis", afirmou
Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia do Greenpeace
Brasil.
Nas duas últimas semanas o Greenpeace produziu vários documentos
que mostravam a destruição das florestas na Indonésia para
plantação de óleo de dendê. Além disso, uma equipe da ONG e
habitantes da vila de Kuala Cenaku construíram dois diques para
represar canais que drenavam terras alagáveis destinadas a grandes
plantações de dendê.
As ações aconteceram a um mês do início da próxima rodada de
negociações globais do clima, que acontecem em Bali, na Indonésia.
O desmatamento é responsável por cerca de 1/5 das emissões globais
de gases de efeito estufa. Na Indonésia, as altas taxas de
conversão de florestas em plantações de óleo de dendê fazem do país
um dos maiores emissores mundiais de CO2.
No Brasil, o desmatamento da Amazônia é o responsável por 75% de
nossas emissões e nos coloca em quarto lugar entre os maiores
emissores. A crescente demanda por etanol pode transformar as
plantações de cana em mais um vetor de desmatamento na região.
"Seria no mínimo estúpido tentar reduzir nossas emissões
aumentando o uso de etanol e, para isso, destruir a Amazônia,
provocando mais emissões ainda. Precisamos de uma regulamentação
para a indústria de biocombustíveis garantindo parâmetros de
sustentabilidade sócio-ambiental neste momento de grande expansão
da produção e da demanda", concluiu Rebeca.