Plano de combate ao desmatamento será reavaliado pelo governo

Notícia - 14 - abr - 2008
Audiência realizada na Câmara discute relatório O Leão Acordou, que analisa as ações do governo para conter o desmatamento.

Entre agosto de 2000 e agosto de 2005, a área total de desmatamento na Amazônia foi equivalente a metade da superfície do Estado de São Paulo

A Câmara dos Deputados promoveu nesta terça-feira audiência pública sobre o nosso relatório O Leão Acordou, que é uma análise crítica do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal lançado pelo governo Lula em março de 2004. O plano envolve 13 ministérios sob coordenação da Casa Civil. O debate foi promovido pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional.

Marcelo Marquesini, engenheiro florestal do Greenpeace que coordenou a realização do relatório, apresentou os resultados do documento: quase 70% das atividades do Plano não aconteceram como previsto. O baixo índice de execução das atividades é um reflexo claro da falta de coordenação política e executiva por parte da Casa Civil, que não possibilitou que os ministérios participantes se integrassem para combater o desmatamento ou internalizassem o tema em suas rotinas de trabalho.

"Um dos problemas fundamentais é que o Plano de Ação do governo não apresenta metas de redução de desmatamento, o principal problema a ser resolvido", explicou Marquesini. "A iniciativa do governo tem muitos méritos, mas é vital a adoção de metas concretas, transparentes e verificáveis de redução anual da perda de cobertura florestal, permitindo que os governos possam planejar de forma integrada e avaliar seu próprio desempenho, corrigindo rumos no tempo adequado."

O subchefe adjunto de análise de acompanhamento de políticas públicas governamentais da Casa Civil, Johaness Eck, admite que o governo falhou na implementação do Plano por falta de estrutura, mas dividiu a responsabilidade com os Estados e cobrou sua maior participação.

O diretor de Políticas Públicas de Controle do Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André Lima, elogiou o trabalho do Greenpeace e informou que o governo está fazendo uma avaliação interna do Plano de combate ao desmatamento. Segundo ele, o relatório do Greenpeace "é uma contribuição importante para a avaliação do governo", que deve ser concluída em maio.

Ele também pediu apoio aos parlamentares para que não haja retrocesso na legislação ambiental, em concordância com as demandas apresentadas pelo Greenpeace no relatório. "Para que o esforço de conter o desmatamento seja eficiente, é preciso, antes de mais nada, transformar em lei a medida provisória do Código Florestal, consolidando no arcabouço jurídico do País a reserva legal de 80% para o bioma Amazônia. Parece óbvio e redundante, mas enquanto a legislação que define o que pode ser usado e o que precisa ser preservado for provisória, será impossível ter vitórias definitivas na luta contra o desmatamento", explicou Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia, do Greenpeace.

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