A floresta amazônica arde sob o fogo criminoso que já destruiu milhares de quilômetros da região nos últimos anos. É necessária urgência no Plano de Mudanças Climáticas brasileiro para conter o desmatamento - vilão do aquecimento global.
Apesar de serem consideradas um pequeno avanço, as metas de
anunciadas pelo governo são insatisfatórias. Desmatamento Zero é o
ideal. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima prevê redução de 40%
do desmatamento ilegal entre 2006 e 2010, em relação à média do
período 1996-2005, com aumento de 30% a cada quatro anos. Além de
tímidas, as metas são condicionadas à obtenção de recursos
internacionais.
"Num momento de crise internacional como o que vivemos, essa
condicionante, deixa uma justificativa pronta para o governo
descumprir as metas, além disso documento limita-se ao combate do
desmatamento ilegal - missão que, com ou sem PNMC, é obrigação do
Governo", diz o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio
Leitão. "O Brasil está na direção certa, mas na velocidade errada",
avalia.
Zerar o desmatamento é a forma mais rápida e barata de conseguir
a queda das emissões globais. Estudos do IPCC (sigla para Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) apontam que o mundo
pode atingir o pico de emissões até, no máximo, em 2015, ano em que
os índices têm que começar a cair para que o processo de
aquecimento global não entre em um ciclo irreversível.
O anúncio do plano coincide com o primeiro dia da Conferência
das Partes (COP), que reúne, em Poznan, na Polônia, governos de
todo o mundo, até o dia 12 de dezembro para negociar o acordo que
entrará em vigor quando o Protocolo de Kyoto expirar, em 2012. "A
maior contribuição brasileira para a luta contra as mudanças
climáticas é zerar o desmatamento até 2015", afirma Leitão.
Para atingir essa meta, o Greenpeace defende que o governo
brasileiro lidere a formação de um fundo internacional de
preservação de florestas, que permita que os países ricos alcancem
parte de suas metas de redução com financiamentos de mecanismos de
proteção de florestas em países em desenvolvimento. "Mas as metas
de redução de desmatamento não podem ser condicionadas a neste
mecanismo", completa Leitão.
Vulnerabilidade
O capítulo sobre vulnerabilidade se resume a indicações de
estudos sobre o tema, não há medidas efetivas que indiquem que o
país está se estruturando para proteger a população dos impactos
das mudanças climáticas.
As mortes causadas pelas chuvas em Santa Catarina já podem ser
consideradas uma consequência do aquecimento global, resultado do
desmatamento da Mata Atlântica na região. "Já alertávamos para o
problema desde o furacão Catarina, em 2004. E continuamos a
alertar: se medidas mais efetivas contra o aquecimento global não
forem tomadas urgentemente, outras calamidades acontecerão", afirma
Leitão. Enquanto Santa Catarina contabiliza suas perdas, os
deputados da bancada ruralista se articulam para votar mudanças no
Código Florestal que incentivam o desmatamento.
Energia
Sobre o tema energia, o plano continua sem metas de longo prazo
para a produção de energias renováveis. Já para a eficiência
energética, ganhou uma: 8%, bem abaixo dos 20% sugeridos pelo
Greenpeace. "O Brasil tem todas as condições geográficas e
climáticas para fazer uma verdadeira revolução energética, mas está
perdendo essa oportunidade", diz Leitão.