A indústria eólica e de painéis solares podem gerar juntas 8,4 milhões de empregos até 2030.
O modelo energético brasileiro continuará apostando todas suas
fichas na geração hídrica de grande porte, a ser complemetada por
termelétricas fósseis, principalmente de carvão e óleo diesel. O
espaço dedicado às fontes renováveis de energia e à aplicação de
medidas de conservação e eficiência energética será mínimo. Esse é
o cenário energético para o futuro do Brasil de acordo com o que
foi apresentado pelas autoridades do setor durante audiência
pública promovida pelo Ministério Público Federal, em Brasília, no
último dia 18 de fevereiro. No evento foram apresentados os dados
do Plano Decenal de Expansão de Energia 2008-2017 (PDE), elaborado
pelo Ministério de Minas e Energia.
A audiência pública contou com a presença de autoridades e
representantes do Ministério do Meio Ambiente, Funai, sociedade
civil (entre eles Ricardo Baitelo, especialista em energia
renovável do Greenpeace) e Empresa de Planejamento Energético
(EPE), que foi duramente criticada durante o encontro pela falta de
ambição do PDE em relação à eficiência energética e pela expansão
da geração de energia por meio de usinas termelétricas fósseis,
grandes emissoras de gases do efeito estufa.
O Plano Decenal de Expansão de Energia do governo foi
apresentado por Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e
Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, e
Maurício Tolmasquim, presidente da EPE.
Leia aqui a nossa crítica ao PDE.
Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, tentou defender as
baixas emissões da matriz energética nacional, mas os
representantes do Ministério Público e da academia brasileira, como
Célio Bermann (USP) e Carlos Vainer (UFRJ), criticaram a falta de
consideração aos impactos socioambientais nos empreendimentos
planejados e a baixa confiabilidade dos dados utilizados.
Tolmasquim admitiu que há espaço para o desenvolvimento da
energia eólica e de biomassa no país, bem como para programas de
eficiência energética, mas afirmou que esses recursos não completam
a matriz brasileira sozinhos. Disse ainda que a EPE está aberta ao
diálogo com ONGs para discutir melhores opções, mas ressaltou que a
questão do preço da energia é de responsabilidade exclusiva do
governo federal.
"A audiência pública foi positiva por abrir espaço para
questionamentos ao Plano Decenal de Expansão Energética do
governo", afirmou Baitelo. "Mas não foram assumidos formalmente
compromissos quanto à concreta revisão do mesmo, muito menos
mudanças das premissas que o guiaram", lamenta.