Polícia prende ativistas do Greenpeace e sobreviventes de Bhopal

Notícia - 24 - nov - 2002
Ação tinha como objetivo responsabilizar a multinacional Dow Química pelo maior acidente químico da história

Agindo de forma agressiva policiais indianos prenderam nesta manhã, 56 ativistas do Greenpeace de 14 diferentes nacionalidades, incluindo o Brasil, e cerca de 60 sobreviventes do maior acidente químico da história. A manifestação faz parte da campanha promovida pela rede "International Campaign for Justice in Bhopal" (Campanha Internacional por Justiça em Bhopal), da qual o Greenpeace é membro, e tem o objetivo de conseguir que a Dow Química, que comprou a Union Carbide, se responsabilize pelo acidente.

Ativistas e voluntários tentaram sitiar e armazenar de forma segura parte das centenas de toneladas de material químico tóxico deixado no local pela multinacional americana, após a empresa abandonar o país e a planta industrial depois do acidente. O objetivo da ação era mostrar para a Dow Química, que é a atual proprietária da Union Carbide, que a limpeza e descontaminação da área não apenas é possível, mas que precisa ser feita com urgência.

"É a Dow, e não os nossos ativistas e voluntários, que está agindo criminalmente, abandonando esta área contaminada aqui" afirmou John Butcher, responsável pela Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace Brasil.

O terrível acidente, sem precedentes ocorreu em 1984, na planta industrial da Union Carbide, em Bhopal, Índia, quando 40 toneladas de gases letais vazaram, matando 8 mil pessoas nos três primeiros dias após o acidente, 20 mil até hoje, e deixando mais de meio milhão de feridos.

Menosprezando repetidas solicitações dos sobreviventes do acidente de 1984, tanto a Union Carbide quanto a Dow até hoje não se responsabilizaram pelo crime. Cientistas do Greenpeace freqüentemente vem verificando o grau de contaminação na planta industrial abandonada e ao redor dela e tem verificado altos níveis de contaminação do solo e da água, causado pelas toneladas de material tóxico abandonados. O crime persiste não apenas pelo já ocorrido, mas também pela contínua contaminação causada através do solo e água usados pelas comunidades próximas (confira os níveis de contaminação no relatório "The Bhopal Legacy" - em inglês).

"Aqui em Bhopal, muitos dizem que os felizardos são os que morreram em 1984. A recusa pela Dow em descontaminar a área está nos contaminando diariamente. Este descaso expõe outras gerações de crianças a substâncias químicas altamente tóxicas. Eles podem nos prender, mas não irão nos impedir de lutar por justiça", disse Rashida Bi, uma líder comunitária e sobrevivente do que chamam de pior desastre químico do mundo até o momento. Rashida planeja visitar o Brasil durante o Fórum Social Mundial em 2003.

"O desastre de 1984 não terminará enquanto a Dow Química não se responsabilizar e limpar Bhopal, prover a comunidade afetada com assistência médica e água potável e devidamente compensar os sobreviventes. A Dow tem aceitado a sua responsabilidade em relação aos crimes ambientais ocorridos nos Estados Unidos. Agora, eles devem aceitar as suas responsabilidades aqui na Índia", disse Ananthapadmanabhan, diretor executivo do Greenpeace Índia, que esteve entre os detidos desta manhã.

Veja as imagens da ação violenta da polícia da Índia repreendendo os manifestantes:

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