Agindo de forma agressiva policiais indianos prenderam nesta
manhã, 56 ativistas do Greenpeace de 14 diferentes nacionalidades,
incluindo o Brasil, e cerca de 60 sobreviventes do maior acidente
químico da história. A manifestação faz parte da campanha promovida
pela rede "International Campaign for Justice in Bhopal" (Campanha
Internacional por Justiça em Bhopal), da qual o Greenpeace é
membro, e tem o objetivo de conseguir que a Dow Química, que
comprou a Union Carbide, se responsabilize pelo acidente.
Ativistas e voluntários tentaram sitiar e armazenar de forma
segura parte das centenas de toneladas de material químico tóxico
deixado no local pela multinacional americana, após a empresa
abandonar o país e a planta industrial depois do acidente. O
objetivo da ação era mostrar para a Dow Química, que é a atual
proprietária da Union Carbide, que a limpeza e descontaminação da
área não apenas é possível, mas que precisa ser feita com
urgência.
"É a Dow, e não os nossos ativistas e voluntários, que está
agindo criminalmente, abandonando esta área contaminada aqui"
afirmou John Butcher, responsável pela Campanha de Substâncias
Tóxicas do Greenpeace Brasil.
O terrível acidente, sem precedentes ocorreu em
1984, na planta industrial da Union Carbide, em Bhopal, Índia,
quando 40 toneladas de gases letais vazaram, matando 8 mil pessoas
nos três primeiros dias após o acidente, 20 mil até hoje, e
deixando mais de meio milhão de feridos.
Menosprezando repetidas solicitações dos sobreviventes do
acidente de 1984, tanto a Union Carbide quanto a Dow até hoje não
se responsabilizaram pelo crime. Cientistas do Greenpeace
freqüentemente vem verificando o grau de contaminação na planta
industrial abandonada e ao redor dela e tem verificado altos níveis
de contaminação do solo e da água, causado pelas toneladas de
material tóxico abandonados. O crime persiste não apenas pelo já
ocorrido, mas também pela contínua contaminação causada através do
solo e água usados pelas comunidades próximas (confira os níveis de
contaminação no relatório "The Bhopal Legacy" - em inglês).
"Aqui em Bhopal, muitos dizem que os felizardos são os que
morreram em 1984. A recusa pela Dow em descontaminar a área está
nos contaminando diariamente. Este descaso expõe outras gerações de
crianças a substâncias químicas altamente tóxicas. Eles podem nos
prender, mas não irão nos impedir de lutar por justiça", disse
Rashida Bi, uma líder comunitária e sobrevivente do que chamam de
pior desastre químico do mundo até o momento. Rashida planeja
visitar o Brasil durante o Fórum Social Mundial em 2003.
"O desastre de 1984 não terminará enquanto a Dow Química não se
responsabilizar e limpar Bhopal, prover a comunidade afetada com
assistência médica e água potável e devidamente compensar os
sobreviventes. A Dow tem aceitado a sua responsabilidade em relação
aos crimes ambientais ocorridos nos Estados Unidos. Agora, eles
devem aceitar as suas responsabilidades aqui na Índia", disse
Ananthapadmanabhan, diretor executivo do Greenpeace Índia, que
esteve entre os detidos desta manhã.
Veja as imagens da ação violenta da polícia da Índia
repreendendo os manifestantes:
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