Por Santuário, encalhamos uma baleia em frente ao Palácio do Planalto

Notícia - 25 - mai - 2008
Ativistas do Greenpeace levaram inflável de 15 metros a Brasília para pedir apoio à criação do Santuário do Atlântico Sul.

Uma baleia inflável de 15 metros foi 'encalhada' em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para pressionar o governo brasileiro a assumir a liderança na próxima reunião da Comissão Internacional Baleeira (CIB), no Chile, em defesa da criação do Santuário do Atlântico Sul.

Uma baleia inflável de 15 metros de comprimento encalhou nesta segunda-feira no lago em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, para cobrar do governo brasileiro um apoio maior à criação do Santuário do Atlântico Sul. O protesto pacíficio foi organizado pelo Greenpeace e marcou a entrega de uma petição com mais de 14 mil assinaturas ao secretário-adjunto da presidência da República, João Bosco Calais Filho. Cópias do documento também foram entregues nos ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores.

Anos atrás o Brasil caçava baleias mas há anos que adotou uma postura conservacionista e sempre vota contra a caça comercial nas reuniões da Comissão Internacional Baleeira (CIB). Em 1999, o governo brasileiro propôs a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul. No entanto, o documento ainda não saiu do papel. O Brasil conta com o apoio de países como África do Sul e Argentina, mas são necessários ¾ dos votos na CIB para a criação da área de proteção, quantidade que não foi alcançada em nenhuma das reuniões até aqui. Chegou a hora de mudar essa história.

Veja o vídeo:

Atualmente existem dois santuários no mundo: no Oceano Índico e na Antártica. Para bloquear a aprovação de novos santuários, países como o Japão têm subsidiado atividades pesqueiras de pequenos países da África, o que na prática resulta na compra de seus votos na CIB. 

"Contamos com o presidente Lula para garantir a gestão diplomática com países africanos para que eles não cedam às pressões do governo japonês", afirma Leandra Gonçalves, coordenadora da Campanha de Baleias do Greenpeace.

A próxima reunião da CIB será em junho, no Chile, e essa será uma boa oportunidade para que o governo brasileiro e dos demais países latino-americanos contrários à caça reafirmem sua posição conservacionista, defendendo a criação da área protegida no Atlântico Sul e atuando de forma mais ativa para convencer outras nações a apoiar a causa.

"Esperamos que o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, compareça à reunião e assuma o papel de porta-voz da vontade da população brasileira para a conservação das baleias. O Brasil pode e deve ter uma atuação positiva e diferenciada na CIB", diz Leandra.

Nosso continente não pratica e nem promove a caça de baleias e tem sido internacionalmente reconhecido pelos esforços voltados à pesquisa e uso não-letal, como o turismo de observação de baleias - que rende um bilhão de dólares por ano no mundo todo. 

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Conheça mais detalhes da campanha de baleias no Blog de Oceanos, atualizado pela campaigner Leandra Gonçalves.

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Contrabando de carne de baleia sob investigação da Justiça no Japão. 

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