O Greenpeace tem discutido estratégias ambientais com o Comitê Organizador dos Jogos de Pequim, patrocinadores oficiais e outras ONGs para deixar a China verde não apenas durante o evento esportivo, mas também depois.
A China está tentando o seu melhor para garantir uma Olimpíada
verde em Pequim este ano. Para o país com a maior população do
mundo, a tarefa não é das mais fáceis. A China enfrenta grandes
problemas ambientais, que ganharam muita atenção da mídia desde que
foi escolhida para ser a sede do evento olímpico.
No topo da lista dos problemas ambientais chineses está o aquecimento global, seguido de perto da
falta de água para sua população e preocupações sobre segurança alimentar e erosão de terras.
Os Jogos Olímpicos de Pequim podem se tornar um evento-chave no
desenvolvimento sustentável da China. O Greenpeace espera que as
estratégias ambientais de desenvolvimento aprendidas durante a
preparação para as Olimpíadas sejam aplicadas na China e postas em
prática após o fim do evento.
A China fez muitas promessas para limpar Pequim para os Jogos
Olímpicos deste ano. Como se saíram? O relatório China após as Olimpíadas: Lições de Pequim
(arquivo pdf para baixar, texto em inglês), publicado nesta
segunda-feira, tem as respostas.
O país iniciou diversas políticas verdes para melhorar a
qualidade ambiental dos Jogos mas perdeu algumas boas
oportunidades.
"Estamos felizes de ver os resultados conseguidos até o momento
na cidade. O transporte público ficou mais conveniente, houve uma
redução no uso de combustíveis fósseis e o tratamento da água
melhorou", afirma Lo Sze Ping, diretor de campanha do Greenpeace
China.
Mas Pequim perdeu a oportunidade de adotar as melhoras práticas
ambientais do mundo. Poderia ter sido mais agressiva no controle da
poluição provocada por suas indústrias, adotar a certificação FSC
para a madeira usada nas obras do complexo olímpico e adotar
políticas mais duras de conservação de água.
O Greenpeace elogia Pequim por
ter:
* usado energia renovável e promovido a economia de energia na
Vila Olímpica;
* adotado novas metas de emissões para os veículos, de acordo
com padrões europeus;
* construído cinco novas linhas de metrô na cidade para
encorajar o transporte público;
* lançado uma frota de 3.759 ônibus alimentados com gás
natural;
* ajudado 32 mil pessoas a mudarem o sistema de aquecimento à
base de carvão de suas casas;
* estabelecido a estação Guanting de energia eólica, a primeira
de Pequim capaz de gerar 100 milhões de quilowatts/hora de energia
por ano;
* melhorado suas plantas de tratamento de água e esgoto;
O Greenpeace está desapontado com
Pequim por não ter:
* desenvolvido políticas ambientais para os Jogos no setor de
construção;
* aplicado tecnologias de economia de água por toda a
cidade;
* priorizado uma política de zerar o lixo da cidade, em vez de
construir mais incineradores;
* introduzido uma política de uso sustentável de madeira nas
obras dos Jogos pela cidade, como o padrão FSC;
* Erradicado a tecnologia HFC de alguns locais olímpicos.
O Greenpeace tem dialogado regularmente, desde 2006, com o
Comitê Organizador dos Jogos de Pequim, dando conselhos em temas
relacionados às nossas campanhas, como uso de energia renovável,
madeira sustentável e segurança alimentar. O Greenpeace foi uma das
ONGs que participaram da elaboração do documento Pequim 2008:
Proteção, Inovação e Melhorias Ambientais, lançado pelo Comitê
Organizador dos Jogos de Pequim em outubro de 2007.
A reação do Comitê Organizador às recomendações do Greenpeace
foi freqüentemente confusa. Em temas como o uso de energia
renovável e madeira sustentável, o Comitê Organizador não conseguiu
atender às recomendações porque boa parte das obras já estava
contratada ou em andamento. A performance ambiental dos Jogos de
Pequim poderia ser beneficiada se o Comitê Organizador tivesse
envolvido ONGs nos estágios iniciais dos trabalhos.
Greenpeace e Pnuma
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) tem
cooperado com o Comitê Olímpico Internacional (COI) desde 1994 para
incluir temas ambientais nos Jogos Olímpicos. Em novembro de 2005,
o Pnuma assinou um documento com o Comitê Organizador dos Jogos de
Pequim e tem ajudado a implementar planos ambientais para os Jogos
de Pequim.
O Greenpeace tem atuado com o Pnuma em assuntos ligados aos
Jogos de Pequim. Fomos consultados pelo órgão da ONU para formular
e rascunhar o relatório Jogos Olímpicos de Pequim 2008 - Uma Análise
Ambiental, que foi lançado em outubro de 2007. Os
comentários do Greenpeace sobre o evento foram incluídos no
relatório.
Greenpeace e patrocinadores dos Jogos
de Pequim
Os patrocinadores dos Jogos de Pequim são líderes corporativos
em suas respectivas áreas de atuação. O Greenpeace acredita que
eles têm uma grande responsabilidade no 'esverdeamento' do evento.
Iniciativas ambientais positivas de patrocinadores corporativos
podem também ter grande impacto na própria indústria, tornando-a
mais limpa no longo prazo.
O Greenpeace quer que os patrocinadores dos Jogos de Pequim
utilizem a tecnologia mais ambientalmente correta disponível no
mercado e mantenham seu compromisso com o meio ambiente mesmo
depois dos Jogos de Pequim. Por exemplo: pressionamos a Coca-Cola
para providenciar refrigeradores e máquinas de venda de seus
produtos com tecnologia que reduz o consumo de energia e livre de
HFC. Será a primeira vez que uma Olimpíada terá 100% dessas
máquinas ambientalmente corretas. E segundo o presidente da
Coca-Cola, E. Neville Isdell, se comprometeu em maio de 2008 a
aumentar o número de refrigeradores ambientalmente corretos para
100 mil em todo o mundo nos próximos três anos.
Greenpeace e o público chinês
O público chinês está bastante preocupado com os problemas
ambientais de seu país. Os Jogos de Pequim são uma grande
oportunidade para engajar o público chinês e deixar o país mais
verde.
O Greenpeace lançou projetos na China para aumentar a
consciência do público e promover um estilo de venda mais
ambientalmente correto. Desde outubro de 2007 negociamos com mais
de 300 restaurantes de Pequim para deixarem de usar palitos
descartáveis, de madeira. Também estamos em campanha para persuadir
moradores de Pequim a trocarem as lâmpadas incandescentes por
fluorescentes. Acreditamos que todos podem ajudar a tornar os Jogos
Olímpicos e a China mais verde mesmo depois de 2008.
O Greenpeace China lançou recentemente o Guia de Orgânicos de Pequim, com uma lista
de supermercados, restaurantes e feiras que vendem produtos desse
tipo pela cidade. No site há um mapa com dicas dos principais
fornecedores de orgânicos em Pequim.
História
O Greenpeace trabalhou nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000) e
Atenas (2004). Nosso envolvimento com os Jogos de Pequim começou em
2006 e desde então construímos boas relações com o Comitê
Organizador dos Jogos, com o Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (Pnuma), diversos patrocinadores olímpicos e outros grupos
da sociedade civil.