José Fogaça, prefeito de Porto Alegre (RS), visita exposição sobre a destruição da Amazônia, antes de assinar decreto que exige comprovação de origem legal para a madeira usada em obras públicas na cidade.
O prefeito José Fogaça assinou nesta terça-feira o decreto que
estabelece critérios para a compra de madeira pelo poder público
municipal, obrigando que toda madeira comprada pela prefeitura ou
utilizada em obras e serviços públicos tenha comprovação de
legalidade de origem. Com o decreto, Porto Alegre passa ser a
capital de estado mais avançada entre os participantes do Programa
Cidade Amiga da Amazônia, do Greenpeace.
"Porto Alegre é uma cidade que tem a questão ambiental como
prioridade, e o programa Cidade Amiga é um exemplo disso", disse o
prefeito durante a solenidade, que contou com a presença de
ativistas e voluntários do Greenpeace.
O diretor de Políticas Públicas do Greenpeace, Sergio Leitão,
ressaltou que a cidade dá um exemplo ao país e às demais capitais
brasileiras sobre a importância da preservação da Amazônia. O
programa foi concebido há dois anos e conta com a adesão de 35
municípios e do estado de São Paulo. No Rio Grande do Sul, além da
Capital, São Leopoldo, Santa Maria, Rio Grande e Cachoeirinha
também aderiram ao Cidade Amiga da Amazônia.
A assinatura do decreto acontece uma semana depois de membros da
ONG terem sido mantidos em cárcere privado na localidade paraense
de Castelo de Sonhos, no município de Altamira, e impedidos por
madeireiros de transportar uma árvore queimada que faria parte de
uma exposição em várias capitais do país, sob a alegação de que
isso iria prejudicar a imagem da região.
O Greenpeace transportava, com autorização do Ibama, uma tora de
castanheira que tombou como resultado de uma queimada criminosa
feita este ano em terras públicas da União. "Fomos impedidos de
sair do Pará com uma castanheira autorizada legalmente, enquanto o
fluxo de toras extraídas de forma ilegal e predatória ainda
acontece para fora do estado rumo ao sul do país e ao exterior",
diz Márcio Astrini, representante do Programa Cidade Amiga da
Amazônia.
"Esse lamentável incidente demonstra que a presença do governo
na Amazônia ainda é frágil. Os novos sistemas de controle ainda não
garantem a procedência legal da madeira, obrigando que as
prefeituras que consomem madeira em outras regiões do país tomem
medidas para evitar que suas cidades sejam cúmplices da
devastação", complementa Astrini.
Quem passou em frente à prefeitura esta tarde também teve a
oportunidade de manifestar sua indignação e exigir do governo
federal, por meio de um abaixo-assinado, o fim do desmatamento da
Amazônia. Dois painéis gigantes de imagens da queima de florestas e
de impactos das mudanças climáticas sobre a agricultura sulista
foram exibidos pelos voluntários do Greenpeace.
A atividade é parte da exposição 'Aquecimento global: apague
essa idéia', que a organização realiza nas próximas semanas também
em Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Brasília. O
objetivo da mostra é levar aos moradores de grandes centros urbanos
do país a realidade do desmatamento da Amazônia e seus impactos
diretos no clima das demais regiões do Brasil. Na segunda-feira, o
Greenpeace solicitou nova autorização ao Ibama para transporte da
tora, que deveria ser exposta nas capitais paulista, fluminense e
no Distrito Federal.
Veja as imagens:
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