Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace, explica a Antonio Carlos Batista Neves, Secretário de Infra-Estrutura da Bahia, a importância de se instalar um Parque Eólico na cidade de Caetité.
O governo da Bahia anunciou nesta segunda-feira, a bordo do
navio do Greenpeace, Arctic Sunrise, o licenciamento do primeiro
parque eólico do estado, que será construído em Caetité. Com
capacidade total de 700 MW, a nstalação das usinas eólicas na
cidade do interior baiano é especialmente significativa, já que a
cidade abriga a mina de onde é extraído todo o urânio usado como
combustível nuclear pelas usinas Angra 1 e 2. A região sofre com
contaminação da água por urânio, conforme denunciou o Greenpeace em
outubro do ano passado.
Conheça aqui detalhes da denúncia e do
ciclo do urânio.
O anúncio do licenciamento eólico foi feito pelos secretários
estaduais de Meio Ambiente, Juliano Matos e de Infra -Estrutura
Antonio Carlos Batista Neves urante seminário sobre energias
renováveis e mudanças climáticas, que reuniu mais de 60
representantes do governo e da sociedade civil organizada. O evento
faz parte da expedição "Salvar o Planeta. É agora ou agora.", que
está percorrendo sete cidades brasileiras para informar a população
sobre a urgência do combate às mudanças climáticas. Em Salvador,
mais de 2 mil pessoas visitaram o navio durante o final de
semana.
"A notícia do parque eólico na Bahia é excelente e deve servir
de exemplo para
outros estados brasileiros e para o próprio governo federal",
disse Ricardo
Baitelo, especialista em energia do Greenpeace. "É ainda um
argumento poderoso contra os planos da indústria nuclear de ampliar
a mineração de urânio na região e de instalar usinas nucleares na
Bahia. Somente a geração renovável pode trazer a verdadeira
segurança energética ao nordeste brasileiro."
As energias renováveis colaboram na redução de emissões de gases
do
efeito estufa e o estado da Bahia possui papel fundamental nesse
cenário: o Atlas Eólico Nacional, documento elaborado pelo governo
federal, afirma que o potencial de geração de energia eólica do
Nordeste chega a 75 gigawatts (GW). Desse total, de acordo com
estudos do professor Osvaldo Soliano, da Universidade Salvador
(Unifacs), 17,5 GW poderiam ser gerados na Bahia, o que equivale à
energia produzida por Itaipu e uma usina do Rio Madeira juntas.
Hoje, o Parque Eólico de Osório (RS), maior parque eólico do
Brasil, possui capacidade instalada de 150 MW.
Durante as exposições dos convidados para o seminário foram
discutidas políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento das
energias renováveis. Foi apresentado também o documento Lei de
Energias Renováveis: Propostas para a Sustentabilidade Energética
Brasileira que contém o projeto de lei 4550/08, elaborado pelo
deputado Edson Duarte (PV-BA), que incentiva as energias renováveis
baseado no mecanismo tarifário feed-in, modelo que garante
acesso dos geradores à rede e determina um preço justo e fixo pela
venda dessa energia em contratos de longo prazo.
Clique aqui para baixar o documento Lei de
Energias Renováveis: Propostas para a Sustentabilidade Energética
Brasileira (arquivo em pdf)
Programação - Dando sequência às atividades da expedição
Salvar o Planeta. É Agora ou Agora, o
Greenpeace participa nesta terça-feira, às 9 horas, na Câmara dos
Vereadores de Salvador, de uma sessão especial para discutir
Projeto de Lei municipal que proíbe o transporte de material
radioativo na cidade. Às 14hs a organização promove uma marcha
contra a energia nuclear. A concentração será em frente ao Mercado
Modelo. Está confirmada a presença de um grupo de moradores de
Caetité, que vão relatar os impactos da origem do Programa Nuclear
Brasileiro.
Participaram do evento Marcelo Furtado e Ricardo Baitelo do
Greenpeace, Neilton Fidelis da Silva do Fórum Brasileiro de
Mudanças Climáticas,Paulo Altaur Pereira Costa, secretário adjunto
de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME/Comitê
Interministerial sobre Mudanças do Clima (CIM), Antonio Carlos
Batista Neves, Secretário Estadual de Infra-Estrutura, Juliano
Matos, Secretário Estadual do Meio Ambiente, Bete Wagner,
presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Osvaldo Soliano da
UNIFACS, Luiz Vitor Constant de Almeida, representante do BNDES,
Eduardo Mattedi, Superintendente de Políticas para Sustentabilidade
/ Fórum Baiano de Mudanças Climáticas,Silvano Ragno,
Superintendente de Energia e Comunicação da SEINFRA e Edson Duarte,
Deputado Federal PV-BA.