As primeiras embalagens de óleos de soja rotuladas como transgênicos chegaram às prateleiras dos mercados brasileiros esta semana. A iniciativa acontece mais de dois anos depois da denúncia do Greenpeace de que empresas estavam desrespeitando a lei de rotulagem de 2004.
Atenção, consumidores: seus direitos estão ameaçados! A Comissão
de Agricultura do Senado deve votar na próxima quarta-feira (dia
11/6) a proposta de decreto legislativo 90/2007 da
senadora Kátia Abreu (DEM-TO), velha conhecida de todos que tentam
barrar o avanço dos transgênicos no país. O projeto pretende acabar
com a obrigação das empresas de informarem nos rótulos de seus
produtos o uso ou não de matéria-prima transgênica em sua
fabricação. De acordo com a lei de rotulagem 4.680/03, em vigor no
Brasil desde abril de 2004, todos os produtos que contenham mais de
1% de matéria-prima transgênica devem trazer essa informação no
rótulo, com a presença do símbolo T em meio a um triângulo
amarelo.
Os senadores já estão recebendo cartas do Instituto Brasileiro
deDefesa do Consumidor (Idec), do Fórum Nacional das Entidades
Civis deDefesa do Consumidor, para que respeitem o direito dos
consumidores àinformação e ao direito de escolha.
Clique aqui e envie você também a sua carta para
os senadores!
ATUALIZAÇÃO: A votação foi adiada,
mas o perigo persiste. Continue enviando cartas aos senadores para
que o projeto seja rejeitado!
O projeto da senadora Kátia Abreu também acaba com a rotulagem
de produtos que tenham sido fabricados com animais alimentados com
ração transgênica.
A iniciativa contraria o Código de Defesa do Consumidor e
recentes decisões judiciais reconhecendo e exigindo a informação
nos rótulos, mesmo que abaixo de 1% de ingrediente transgênico.
"O consumidor tem o direito de saber o que está comprando e
comendo, e as empresas têm que respeitar esse direito, fornecendo
essa informação. Apesar de estar em vigor desde 2004, a lei de
rotulagem vem sendo desrespeitada pela maioria das empresas. As
únicas que se adequaram a ela - Bunge e Cargill - o fizeram apenas
parcialmente e mesmo assim só depois de decisão judicial", lembra
Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do
Greenpeace.
As empresas Bunge e Cargill só rotularam seus óleos de soja Soya, Liza e
Veleiro como transgênicos em janeiro de 2008, depois de muita
pressão do Greenpeace, que fez a denúncia em 2005, e do Ministério
Público de São Paulo, que aceitou a denúncia e entrou com uma ação civil
pública exigindo a rotulagem.
Kátia Abreu tem marcado sua atuação no Senado como ferrenha
defensora dos organismos geneticamente modificados. Empresária
rural, ex-presidente da Conferência Nacional da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA) (atual vice-presidente) e ativa
participante da bancada ruralista do Congresso, Kátia Abreu já
apresentou vários projetos no Parlamento em defesa dos
transgênicos. Além do decreto legislativo que acaba com o direito
do consumidor à informação sobre a fabricação de produtos com
matéria-prima transgênica, a senadora também é autora do projeto de
lei que autoriza a comercialização de sementes estéreis,
as famigeradas Terminator, no Brasil.
Defendeu ainda a aprovação do algodão transgênico no país, a
redução do quórum da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) para a aprovação de transgênicos e lutou contra o
estabelecimento de uma Lei de Biossegurança forte e efetiva no
Brasil.
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Consulte o nosso Guia do Consumidor e saiba se o
produto que você procura foi fabricado ou não com matéria-prima
transgênica
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Produtos da Bunge e Cargill são rotulados em supermercado no Rio de Janeiro
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