O presidente americano George W. Bush chega ao Brasil nesta
quinta-feira cheio de planos para uma parceria com o Brasil na
produção do álcool combustível - ou etanol, como é mais conhecido
em terras americanas.
No encontro que terá com o presidente Lula, Bush
discutirá acordos comerciais e o 'know-how' brasileiro na produção
do biocombustível, mas não há previsão para uma agenda mais
ambientalmente responsável. Por isso ativistas do Greenpeace foram
ao Monumento das Bandeiras, em frente ao Parque do Ibirapuera,
caracterizados como refugiados climáticos, para passar a mensagem:
Lula & Bush: etanol é pouco. Salvem o clima!
O Greenpeace acredita que os biocombustíveis são apenas uma
parte de uma ampla gama de ações necessárias para minimizar as
mudanças climáticas.
"Obviamente, os Estados Unidos e o Brasil
têm níveis diferentes de responsabilidade sobre a questão do
aquecimento global. No entanto, os presidentes dos dois grandes
poluidres da atualidade deveriam aplicar soluções definitivas e
contundentes para a redução imediata das emissões de gás carbônico
(CO2) de seus países, em vez de apenas discutir acordos comerciais
de etanol", afirmou Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de clima
e energia do Greenpeace Brasil.
No Brasil, 75% das emissões de gases do efeito estufa vêm do
desmatamento, principalmente na Amazônia. Apesar de ter ratificado
o Protocolo de Kyoto, o Brasil ainda não se comprometeu com metas
concretas de redução de suas emissões.
Num momento em que o Brasil vem tomando medidas para acelerar
seu crescimento, o Greenpeace alerta para a necessidade de
regulamentação para que a indústria de biocombustivel garanta a
sustentabilidade sócio-ambiental.
"É inaceitável a conversão de florestas ou ecossistemas intactos
para a produção de etanol, bem como colocar em risco a produção de
alimentos para a geração de biocombustíveis", afirmou Rebeca
Lerer.
Já no caso dos EUA, maior poluidor global, as emissões são
provenientes em sua maior parte da queima de combustíveis fósseis
em setores como eletricidade e transporte. Os Estados Unidos não
ratificaram Kyoto e tampouco adotaram metas de redução das emissões
ou medidas concretas como a maior eficiência energética de sua
frota veicular.
"Os Estados Unidos é o principal emissor de gases estufa do
mundo e precisa dar um passo gigante. Priorizar apenas a produção
de etanol, sem adotar metas para a redução das emissões, é sair
pela tangente" afirmou John Coequyt, coordenador da campanha de
energia do Greenpeace EUA.
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