Entre agosto de 2000 e agosto de 2005, a área total de desmatamento na Amazônia foi equivalente a metade da superfície do Estado de São Paulo
Até 2006, aproximadamente 17% da floresta amazônica foi destruída. As altas taxas de desmatamento estão provocando uma redução acelerada da biodiversidade local, o que afeta diretamente a vida de milhões de pessoas que dependem da floresta para sobreviver.
O governo federal anunciou na quinta-feira (dia 6) que o
desmatamento na Amazônia brasileira caiu pelo terceiro ano
consecutivo - desta vez para 11.224 km2 no período 31 de julho 2006
a 1o de agosto de 2007. Este número representa uma redução de 20%
em relação à taxa de desmatamento do mesmo período do ano
anterior.
"A queda é expressiva porque mantém a tendência verificada nos
dois anos anteriores", afirma
Paulo Adario, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace
que está em Bali participando da
Conferência da ONU sobre mudanças climáticas.
"Mas não vai dar o gostinho que o governo brasileiro esperava
ter na boca para falar grosso aqui em Bali. O governo sabe, assim
como nós, que o desmatamento mensal voltou a aumentar desde maio,
puxado pelo aumento nos preços agrícolas", revela Adario.
Em agosto deste ano, quando confirmou os dados do desmatamento
de 2005/2006, o Ministério do Meio Ambiente deixou claro que
apostava num recorde histórico para o período seguinte. Falava em
um desmatamento anual em torno de 9.600 km2, baseado em estimativas
preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Mas o desmatamento real foi mais de 17% maior do que o
estimado.
Caso as expectativas do governo federal se confirmassem, teria
nas mãos não apenas a menor taxa desde 1998, quando o Inpe começou
a monitorar a derrubada das árvores na Amazônia, mas também um
argumento forte para enfrentar, em Bali, a pressão para assumir
compromissos concretos com metas de redução de emissões resultados
do desmatamento.
Confira aqui a proposta do Greenpeace para zerar o desmatamento em
florestas tropicais de todo o mundo.
A análise dos dados do Inpe revela que o Pará destruiu 5,569 km2
de florestas no período e se manteve, pelo segundo ano consecutivo,
como o campeão do desmatamento. Sozinho, o estado governado por Ana
Júlia Carepa foi responsável por 50% do desmatamento de toda a
Amazônia brasileira no ano.
Já o Mato Grosso de Blairo Maggi, o grande vilão da floresta e
do clima até 2005, apresenta quedas espetaculares (de quase 12 mil
km2 em 2004 para 2,4 mil km2 em 2007). Entre 2006 e 2007, a queda
na taxa de desmatamento no Mato Grosso foi de 43%. Nesse
período entrou em vigor a moratória no desmatamento para soja,
principal grão plantado no estado. A moratória, resultado de uma
forte campanha do Greenpeace, tende a ter influenciado esses
números positivos para a floresta em 2006/2007.
"Desmatar custa caro", diz Adario, "e os fazendeiros da soja
pensaram várias vezes antes de tomar a decisão de pôr a floresta
abaixo, com medo de perder dinheiro nas futuras safras da
soja".
A queda no desmatamento na Amazônia pelo terceiro ano
consecutivo demonstra que maior governança, aliada a vetores
econômicos favoráveis, atuam em benefício da floresta amazônica, e
em conseqüência, do clima do planeta.
"Em vez de bloquear soluções que levem a inclusão das florestas
no mandato de Bali, o governo brasileiro deveria aproveitar a
grande preocupação da opinião pública com as mudanças climáticas
para aprofundar o programa de combate ao desmatamento, fortalecendo
medidas estruturantes que permitam, num prazo de sete anos, no
máximo, acabar com a destruição da Floresta Amazônica", diz Adario,
lembrando que o Brasil está perdendo uma oportunidade histórica de
liderar em Bali a busca por um acordo que permita à Convenção do
Clima adotar medidas concretas para fortalecer a luta contra o
desmatamento em países em desenvolvimento.
"Principalmente nas florestas tropicais, que são responsáveis
por cerca de um quinto das emissões globais de gases-estufa", diz o
coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace.
"Agora é a hora perfeita para derrotar o dragão do desmatamento.
Para isso o governo deve adotar metas e mobilizar a sociedade a
apoiá-lo nessa luta. Com metas claras e propostas construtivas, o
Brasil teria a credibilidade necessária para levantar o recurso
financeiros destinados a compensar os moradores da floresta pelos
serviços ambientais que ela presta ao clima e ao meio
ambiente."
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Saiba de
mais detalhes sobre a Conferência do Clima em Bali na página Pense
Verde, do site da revista Época