Queimadas na Amazônia: roupa nova, problema velho!

Notícia - 2 - set - 2008
Ativistas do Greenpeace entregam roupa de bombeiro a autoridades do governo em Brasília pelo fim da destruição da floresta.

Ativistas do Greenpeace foram ao Palácio do Planalto entregar uma roupa de bombeiro ao presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, para lembrá-lo da urgência de se combater as queimadas na Amazônia.

O Greenpeace entregou nesta quarta-feira, em Brasília, uniformes debombeiros personalizados ao presidente Luis Inácio Lula da Silva, àministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, ao ministro daAgricultura, Reinhold Stephanes, e ao ministro dos Transportes, AlfredoNascimento. Com uma faixa pedindo o fim do desmatamento na Amazônia, osativistas percorreram os ministérios que representam os setores daeconomia que mais contribuem para a destruição da maior florestatropical do planeta. Nos últimos 40 anos, a Amazônia já perdeu mais de700 mil quilômetros quadrados de sua cobertura original de florestas.

O assessor da Presidência, Marcelo Pires Mendonça, recebeu os uniformes endereçados à Lula e Dilma das mãos dos ativistas. Nos demais ministérios, as roupas foram protocoladas. Uma carta assinada por Paulo Adario, diretor da campanha de Amazônia do Greenpeace, também foi entregue às autoridades. Leia a carta aqui.

Nos últimos anos, o Greenpeace vem documentando sistematicamente adestruição do maior patrimônio ambiental brasileiro. Durante o últimomês de agosto, um time de ativistas esteve em campo registrando cenasde desmatamento e queimadas ilegais no interior e no entorno deUnidades de Conservação e Terras Indígenas na área de influência daBR-163, no Pará e Mato Grosso. Um relatório com imagens e coordenadasgeo-referenciadas expondo a falta de governança que permite aexploração ilegal e desordenada dos recursos florestais dentro dessasáreas foi encaminhado nesta quarta-feira para o Ministério PúblicoFederal (MPF) no Pará, Ministério do Meio Ambiente, Ibama, InstitutoChico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Serviço FlorestalBrasileiro e Funai, cobrando sua imediata implementação. As Unidades deConservação e Terras Indígenas são áreas que deveriam receber proteçãoespecial da União.

Para chamar a atenção da opinião pública para a necessidade de açãoimediata visando acabar com o desmatamento, com o uso do fogo naprática agrícola e para a falta de governança na região, o Greenpeacemontou um sofisticado sistema de transmissão de imagens via satélite,em tempo real. A inédita exposição do processo de destruição daAmazônia foi feita na última sexta-feira (29/8) do noroeste do MatoGrosso diretamente para a nossa página Queimadas na Amazônia

"Oque documentamos ali foram áreas incendiadas ilegalmente e uma intensaexploração criminosa de madeira, associada à impunidade e à completafalta de fiscalização, demonstrando a total ineficiência do governo emcoibir o desmatamento", disse Márcio Astrini, da campanha da Amazôniado Greenpeace.

"O governo precisa assumir sua responsabilidadeem parar o desmatamento e as queimadas - que acontecem todos os anos,com data e hora marcada. O Brasil não aceita mais esse problema velho!"

Noúltimo dia 29 de agosto, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(Inpe) divulgou uma queda de 60% no índice de desmatamento de julhodeste ano em comparação com o mês anterior. Porém, no acumulado dosúltimos 12 meses (agosto de 2007 a julho de 2008) foram registrados8.147 quilômetros quadrados de novos desmatamentos, contra 4.820quilômetros quadrados no mesmo período do ano passado - ver maisdetalhes aqui.

"OBrasil deve adotar uma política consistente para derrotar odesmatamento, assim como foi feito no caso da inflação. Para reduzirdrasticamente a inflação, o País adotou metas anuais e não hesita emtomar medidas duras quando ela ameaça sair do controle. Com isso, oBrasil pode se desenvolver de forma sustentável e segura", disse PauloAdario, diretor da campanha de Amazônia do Greenpeace.

"O mesmoprecisa ser feito com o desmatamento: fixar metas anuais para zerar adestruição da Amazônia até 2015. E permitir que a economica cresça semque isso signifique mais desmatamento."

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