Ativistas do Greenpeace foram ao Palácio do Planalto entregar uma roupa de bombeiro ao presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, para lembrá-lo da urgência de se combater as queimadas na Amazônia.
O Greenpeace entregou nesta quarta-feira, em Brasília, uniformes
debombeiros personalizados ao presidente Luis Inácio Lula da Silva,
àministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, ao ministro
daAgricultura, Reinhold Stephanes, e ao ministro dos Transportes,
AlfredoNascimento. Com uma faixa pedindo o fim do desmatamento na
Amazônia, osativistas percorreram os ministérios que representam os
setores daeconomia que mais contribuem para a destruição da maior
florestatropical do planeta. Nos últimos 40 anos, a Amazônia já
perdeu mais de700 mil quilômetros quadrados de sua cobertura
original de florestas.
O assessor da Presidência, Marcelo Pires Mendonça, recebeu os
uniformes endereçados à Lula e Dilma das mãos dos ativistas. Nos
demais ministérios, as roupas foram protocoladas. Uma carta
assinada por Paulo Adario, diretor da campanha de Amazônia do
Greenpeace, também foi entregue às autoridades. Leia a carta aqui.
Nos últimos anos, o Greenpeace vem documentando sistematicamente
adestruição do maior patrimônio ambiental brasileiro. Durante o
últimomês de agosto, um time de ativistas esteve em campo
registrando cenasde desmatamento e queimadas ilegais no interior e
no entorno deUnidades de Conservação e Terras Indígenas na área de
influência daBR-163, no Pará e Mato Grosso. Um relatório com
imagens e coordenadasgeo-referenciadas expondo a falta de
governança que permite aexploração ilegal e desordenada dos
recursos florestais dentro dessasáreas foi encaminhado nesta
quarta-feira para o Ministério PúblicoFederal (MPF) no Pará,
Ministério do Meio Ambiente, Ibama, InstitutoChico Mendes de
Conservação da Biodiversidade, Serviço FlorestalBrasileiro e Funai,
cobrando sua imediata implementação. As Unidades deConservação e
Terras Indígenas são áreas que deveriam receber proteçãoespecial da
União.
Para chamar a atenção da opinião pública para a necessidade de
açãoimediata visando acabar com o desmatamento, com o uso do fogo
naprática agrícola e para a falta de governança na região, o
Greenpeacemontou um sofisticado sistema de transmissão de imagens
via satélite,em tempo real. A inédita exposição do processo de
destruição daAmazônia foi feita na última sexta-feira (29/8) do
noroeste do MatoGrosso diretamente para a nossa página Queimadas na Amazônia.
"Oque documentamos ali foram áreas incendiadas ilegalmente e uma
intensaexploração criminosa de madeira, associada à impunidade e à
completafalta de fiscalização, demonstrando a total ineficiência do
governo emcoibir o desmatamento", disse Márcio Astrini, da campanha
da Amazôniado Greenpeace.
"O governo precisa assumir sua responsabilidadeem parar o
desmatamento e as queimadas - que acontecem todos os anos,com data
e hora marcada. O Brasil não aceita mais esse problema velho!"
Noúltimo dia 29 de agosto, o Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais(Inpe) divulgou uma queda de 60% no índice de desmatamento
de julhodeste ano em comparação com o mês anterior. Porém, no
acumulado dosúltimos 12 meses (agosto de 2007 a julho de 2008)
foram registrados8.147 quilômetros quadrados de novos
desmatamentos, contra 4.820quilômetros quadrados no mesmo período
do ano passado - ver maisdetalhes aqui.
"OBrasil deve adotar uma política consistente para derrotar
odesmatamento, assim como foi feito no caso da inflação. Para
reduzirdrasticamente a inflação, o País adotou metas anuais e não
hesita emtomar medidas duras quando ela ameaça sair do controle.
Com isso, oBrasil pode se desenvolver de forma sustentável e
segura", disse PauloAdario, diretor da campanha de Amazônia do
Greenpeace.
"O mesmoprecisa ser feito com o desmatamento: fixar metas anuais
para zerar adestruição da Amazônia até 2015. E
permitir que a economica cresça semque isso signifique mais
desmatamento."
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