Notícia - 19 - dez - 2007
Soja convencional rende mais ao agricultor em 2007 do que variedade transgênica, devido à alta de quase 50% no preço do glifosato.
Soja transgênica foi menos rentável do que a convencional em 2007, confirmando nossos alertas de que a tecnologia não traria benefício algum aos agricultores brasileiros.
A gente bem que avisou: além dos problemas de contaminação
genética, ameaças à biodiversidade e demais questões relacionadas à
biossegurança, os transgênicos também têm problemas de
competitividade frente às variedades convencionais por causa da
concentração de mercado. O Greenpeace vem alertando há tempos para
esse problema e, apesar das empresas multinacionais de
biotecnologia tentarem de todas as formas esconder isso dos
agricultores, os fatos falaram mais alto e confirmaram nossas
análises.
A Confederação Nacional de Agricultura (CNA) divulgou esta
semana que os produtores de soja convencional tiveram este ano
maior rentabilidade do que os que plantaram a variedade
transgênica. Isso aconteceu por conta da alta de quase 50% no preço
do glifosato, principal herbicida usado na cultura geneticamente
modificada, e fabricado pela mesma empresa que comercializa as
sementes de soja transgênica - a Monsanto.
"Essa é mais uma prova de que a tecnologia dos transgênicos não
traz benefícios aos agricultores. Eles ficam presos a poucas
empresas. E isso é só o começo do problema de dependência. Se o
Brasil aprovar outras variedades transgênicas, a tendência é o
problema aumentar, porque há uma concentração de mercado dos
produtos transgênicos, com a mesma empresa comercializando tanto a
semente como o insumo, no caso o glifosato", afirma Gabriela Vuolo,
coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.
O glifosato ajuda no controle das ervas daninhas que atacam as
plantações de soja e é vendido no Brasil quase que exclusivamente
pela Monsanto (a empresa detém cerca de 90% do mercado). E é
justamente a Monsanto que vende as sementes de soja transgênica,
aptas a receber o glifosato.
Apesar desse problema econômico gerado pelos transgênicos, que
afeta a vida de milhares agricultores brasileiros, e de outras
questões ligadas à biossegurança dos produtos geneticamente
modificados, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)
pretende votar no ano que vem a liberação comercial de outras
variedades transgênicas, como milho, algodão e arroz.
Que os fatos tragam os cientistas da Comissão à razão antes de
cometerem tamanha irresponsabilidade.
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