Relatório [R]evolução Energética - 2º edição.
O cenário europeu projeta o crescimento da capacidade instalada
de energias renováveis em seis vezes até 2050. A energia eólica e
os painéis fotovoltaicos responderão a mais de dois terços deste
total, complementado pela geração hidrelétrica, co-geração a
biomassa, geotérmica e solar concentrada. Em comparação ao cenário
de referência, a redução da demanda por eletricidade por meio de
medidas de eficiência energética será superior a 30% em 2050.
O lançamento do [R]evolução Energética Europeu, na semana
passada, aconteceu em um momento extremamente favorável para a
energia eólica. O governo da Bélgica propôs aos governos da França,
Alemanha, Holanda e Luxemburgo a construção de uma rede elétrica
interligada entre os países a fim de atender a futura geração
eólica no Mar do Norte. A idéia foi fortemente embasada pelo
relatório
Revolução Elétrica do Mar do Norte, lançado em setembro pelo
Greenpeace Internacional. A cooperação deve ser estendida ao Reino
Unido, Irlanda, Dinamarca e Noruega.
Enquanto isto, na Espanha, foi registrado um novo recorde para a
geração eólica: a cobertura instantânea de 43% da demanda elétrica
nacional, com 9253 MW funcionando simultaneamente. Para efeito de
comparação, a média anual da energia eólica é de 11% de atendimento
da demanda elétrica. Segundo estudo econômico recente, a capacidade
instalada de 15.145 MW já rende uma contribuição de 2 bilhões de
euros ao PIB do país, gera 37 mil empregos e evita a emissão de 18
milhões de toneladas equivalentes de carbono por ano.
O Japão também lançou, no final de novembro,
sua versão do [R]evolução Energética. Nele, é proposta a
substituição da notável geração nuclear em sua matriz elétrica por
uma combinação entre a utilização de medidas de eficiência
energética e o emprego de energias renováveis.
O estudo projeta uma matriz elétrica composta por 60% de
energias renováveis em 2050. De um total de 205 GW, a energia solar
de painéis fotovoltaicos responderia por 95 GW, seguida pelas
gerações eólica (31 GW) e hidrelétrica (25 GW). A eficiência
energética tem um papel chave no cenário: medidas de eficiência
como o uso de coletores solares, substituição de equipamentos
elétricos e co-geração cortarão pela metade tanto a demanda por
eletricidade quanto o crescimento anual da demanda primária de
energia até 2050. Como resultado, a emissão de gases de efeito
estufa devem cair 26% até 2020 e 77% até 2050.
"Os fatos recentes na Europa comprovam que os números da
revolução energética podem ser concretizados na prática. A geração
eólica é extremamente confiável e traz benefícios ambientais,
sociais e econômicos inegáveis. Mesmo países como o Japão,
dependentes da geração fóssil e nuclear, mostram que há
alternativas mais limpas, seguras e econômicas, como comprova o
cenário", analisa Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de
Energias Renováveis do Greenpeace Brasil.
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