Notícia - 1 - out - 2007
Greenpeace denuncia o processo de aprovação e regulamentação de transgênicos no país asiático, mostrando que cerca de 80% dos integrantes de órgãos e entidades responsáveis pelas regras de entrada de organismos geneticamente modificados tem ligações estreitas com a indústria de biotecnologia.
Praticamente todas as pessoas envolvidas com a aprovação e
regulamentação de organismos geneticamente modificados nas
Filipinas fazem parte de grupos defensores de transgênicos
financiados direta ou indiretamente por corporações de
biotecnologia, ou já estiveram envolvidos em projetos de pesquisa e
atividades de promoção desses organismos patrocinados por grupos de
lobby pró-transgênicos ou diretamente pelas empresas
desenvolvedoras dessa tecnologia. A denúncia foi feita nesta
terça-feira pelo Greenpeace em Manila, durante uma coletiva de
imprensa.
"Todo o sistema regulatório para os organismos geneticamente
modificados no país é obsceno. Os órgãos regulatórios estão
comprometidos com as empresas. Como esse sistema regulatório pode
reivindicar qualquer tipo de credibilidade?" afirmou Daniel Ocampo,
da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Sudeste
Asiático.
"A convergência dos interesses corporativos e o processo
regulatório é revelador e mostra o quão vulneráveis nossos
especialistas estão.
Durante os últimos anos, o Greenpeace tem notado como os órgãos
regulatórios de transgênicos nunca rejeitaram a aplicação de um
organismo geneticamente modificado de qualquer grande corporação de
biotecnologia, apesar de muitos casos documentados que questionam
sua segurança e mostram a rejeição em outros países, mesmo naqueles
onde foram desenvolvidas tais tecnologias.
"Agora o público sabe porque: o Departamento de Agricultura e
seus órgãos regulatórios preferem observar apenas os interesses das
corporações multinacionais, em vez das preocupações dos
agricultores com a saúde pública e biossegurança, como deveria
ser", afirma Ocampo. "O Departamento de Agricultura é um fracasso e
o sistema implantado para proteger a saúde pública e o meio
ambiente está , na verdade, protegendo os interesses das
multinacionais desenvolvedoras de transgênicos em sua busca por
novos mercados para seus produtos."