Notícia - 23 - mar - 2006
Uma grande coalização de movimentos de trabalhadores rurais, populações tradicionais e ONGs celebram hoje a firme rejeição contra tentativas de enfraquecer a moratória contra os terminators
Hoje o presidente do grupo de trabalho que está tratando do tema
sobre as sementes transgênicas 'terminators', na 8ª Reunião das
Partes (COP 8) da Conferência sobre Diversidade Biológica (CDB),
anunciou a rejeição do texto que tentava enfraquecer a moratória
hoje vigente contra a tecnologia que produz plantas com sementes
estéreis.
O texto rejeitado tentava colocar a expressão 'caso a caso' para
permissão de experimentos com os 'terminators'. A Austrália, o
Canadá e a Nova Zelândia, apoiados pelos Estados Unidos, que não
fazem parte da Covenção, e pelas maiores indústrias de
biotecnologia do mundo, estavam tentando modificar o texto da
moratória para que, na prática, fosse permitido experimentos em
campo com a tecnologia de sementes transgênicas suicidas.
"Acabar com a moratória sobre as sementes terminator seria um
ato suicida com a credibilidade desta convenção e dos seus países
membros", afirmou Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do
Greenpeace. "Quem sai ganhando é a biodiversidade, a biossegurança
e principalmente os 1,4 bilhões de trabalhadores rurais que
dependem da agricultura familiar e de sua própria produção de
sementes para sobreviver", concluiu.
Os terminators, ou GURTS (na sigla em inglês para tecnologias
genéticas de uso restrito), são um tipo de engenharia genética
feita por multinacionais que produz sementes originando plantas
estéreis, que não podem se reproduzir. Como há uma grande taxa de
contaminação genética de lavouras convencionais por sementes
transgênicas, muitos lavradores teriam seus cultivos contaminados,
não podendo mais produzir sementes de sua própria lavoura, prática
feita por mais de um bilhão de agricultores em todo o mundo.
"Essa decisão é um grande passo para a Campanha por um Brasil
Livre de Transgênicos", disse Maria Rita Reis, da ONG Terra de
Direitos. "E reafirma a lei brasileira que proíbe essa tecnologia,
que é uma ameaça direta à vida, a cultura e a identidade de muitos
povos no mundo todo", concluiu.