Relatório britânico mostra conseqüências econômicas das mudanças climáticas

Notícia - 29 - out - 2006

O governo britânico publicou hoje um relatório oficial sobre as conseqüências econômicas das mudanças climáticas. Segundo o documento, compilado pelo economista britânico Nicolas Stern, mais de 200 milhões de pessoas poderiam ser deslocadas pela elevação do nível do mar, 40% das espécies poderiam ser levadas à extinção e o PIB mundial poderia cair em até 20%, em função dos impactos das mudanças climáticas.

O relatório afirma que cabe à nossa geração derrotar as mudanças climáticas ou os custos que iremos deixar de herança para nossos filhos serão insuportáveis. Os argumentos morais e científicos já eram suficientemente fortes para exigir uma ação dos governos. Agora nós temos também os argumentos econômicos para esta ação. Não há mais desculpas ou cortinas de fumaça para esconder o problema.

No entanto, embora o relatório esteja correto em relação à urgência na redução das emissões de CO2, a meta sugerida para estabilização de gases na atmosfera de 550 ppm ainda permitiria um aumento de temperatura em torno de 3 graus Celsius, um nível inaceitável de aquecimento. Já existe consenso na União Européia de que a temperatura da Terra não pode subir mais do que 2 graus Celsius. Portanto, neste aspecto, o relatório não representa um avanço em relação a esta discussão.

Quanto ao mercado de créditos de carbono, a única maneira de ser efetivo será se houver metas muito rigorosas. Caso contrário, significa apenas gerar recursos para os comercializadores de carbono sem resolver o problema. Para o segundo período do Protocolo de Kyoto, após 2012, é necessário que a meta para os países desenvolvidos seja muito mais ambiciosa. Mas o problema é tão urgente que ações efetivas de todos os países são necessárias para evitarmos conseqüências muito graves para nosso planeta.

É importante que o Brasil assuma junto à Convenção sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas o mesmo compromisso declarado no documento "Política Ambiental Integrada para o Desenvolvimento Sustentável - Programa Setorial de Meio Ambiente e Desenvolvimento - 2007-2010", do programa de governo do agora reeleito presidente Lula, de assumir "metas de combate ao desmatamento; de redução das emissões de CO2 por queimadas; de diminuição da queima de combustíveis fósseis e de mudanças no uso da terra - como contribuição nacional ao esforço global de redução do incremento de gases de efeito estufa".

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