Relatório da AIE tem respostas erradas contra aquecimento global

Notícia - 11 - nov - 2008
Agência Internacional de Energia perde oportunidade de promover revolução energética contra mudanças climáticas.

O papel dos painéis fotovoltaicos e da energia solar concentrada foi praticamente negligenciado no novo relatório da AIE sobre as perspectivas energéticas do mundo.

O relatório Panorama Mundial de Energia, lançado hoje pela Agência Internacional de Energia (AIE), perdeu a grande chance de dar ao mundo as coordenadas corretas para enfrentar as mudanças climáticas e seus catastróficos impactos. Prevendo mais consumo de combustível fóssil do que o planeta pode suportar, além de promover tecnologias equivocadas como a captura e armazenamento de carbono e a energia nuclear, a AIE deu as respostas erradas ao problema.

"O relatório da AIE não vê limitação dos recursos de petróleo e gás para as próximas décadas, mas há um outro recurso que tem limite - o clima do mundo. A AIE produziu um exemplo do que não deve ser feito. Não devemos investir em novas explorações de combustível fóssil e infra-estrutura de produção, mas em energia renovável e no uso inteligente de energia", afirma Sven Teske, especialista em energia do Greenpeace Internacional.

O Greenpeace apresentou ao mundo, em outubro, um cenário muito mais incisivo no combate às mudanças climáticas. A mais recente versão do relatório [R]evolução Energética: Perspectivas para uma Energia Global Sustentável, elaborado em conjunto com o Conselho Europeu de Energia Renovável, mostra como a energia renovável, combinada à uma maior eficiência energética, pode reduzir as emissões mundiais de CO2 das 28 bilhões de toneladas de hoje para 20,9 bilhões em 2030 - metade das emissões do cenário de referência da AIE no mesmo ano.

Confira aqui o sumário executivo, em português, do relatório [R]evolução Energética do Greenpeace.

Com as mesmas previsões de crescimento econômico, custos de combustível e desenvolvimento da população que as da AIE, o cenário do Greenpeace também inclui projeções de longo prazo, até 2050 - com um corte de 50% das emissões de CO2 e a total eliminação do combustível fóssil em 2090.

Ainda que o cenário da IEA incorpore projeções de estabilização deemissões em 2030, o potencial de energias renováveis e eficiênciaenergética foi mais uma vez subestimado.

A participação da energia eólica no novo relatório da AIE continua poucorepresentada, apesar de ser mais alta em relação à edição anterior. Jáo papel dos painéis fotovoltaicos e da energia solar concentrada foiquase negligenciado.

"O cenário [R]evolução Energética indica que, no Brasil, as energiasrenováveis somadas às medidas de eficiência energética podem fornecer88% da energia da matriz elétrica em 2050 - as energiaseólica e solar somadas poderão contribir com 24% da energia total. No finaldas contas, a redução de gastos com termelétricas fósseis e nuclearesresulta em energia mais barata e menos poluente para o país", afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de Energia Renovável do Greenpeace Brasil.

Pontos chaves

Apesar de não existir, atualmente, termelétricasusando comercialmente a tecnologia de captura e armazenamento de carbono, a AIEacredita que a cada mês, entre hoje e 2030, duas ou três usinaspassarão a usar a tecnologia.

O papel da energia nuclear nocenário alternativo da AIE é igualmente irrealístico, exigindo aentrada de uma nova usina nuclear à matriz energética a cada mês, até2030, um volume bem além da capacidade da indústria nuclear.

"Ocaminho da energia renovável é bom tanto para o planeta como para aeconomia. O cenário da AIE prevê investimentos de US$ 13,6 trilhões nosetor energético até 2030. Em comparação, o cenário do Greenpeace custaapenas 8% mais, mas economiza mais de US$ 18 trilhões em custos decombustível", acrescenta Teske.

Para ilustrar o que umarevolução energética significa, o Greenpeace abriu hoje uma estação desalvamento climático na Polônia, para incentivar o governo local aabandonar o carvão. Em outubro, o Greenpeace Polônia lançou sua versãodo cenário [R]evolução Energética, mostrando que o país não precisabasear sua produção energética em carvão. O relatório ilustra como, até2050, a Polônia será capaz de gerar 80% de sua eletricidade a partir defontes renováveis, como vento e sol.

Diferenças básicas entre os dois relatórios:

* O cenário mais ambicioso da AIE revela um pico de emissões em 2020 (450 ppm). O cenário do relatório [R]evolução Energética prevê o pico em 2015, data considerada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, como necessária para se evitar as mudanças climáticas.

* Segundo a AIE, as emissões do uso de energia seriam de 25,7 gigatoneladas por ano em 2030. O cenário do Greenpeace reduz em mais 20% essas emissões, para 20,9 gigatoneladas por ano, quase a metade das atuais emissões.

* A AIE se baseia em tecnologias insustentáveis como energia nuclear e captura e armazenamento de carbono. A [R]evolução Energética não conta com a energia nuclear e só incorpora tecnologias que se provaram eficientes.

* Os dois relatórios, da AIE e do Greenpeace, trazem cenários parecidos de demanda por energia para geração de eletricidade, mas o relatório [R]evolução Energética mostra que a demanda energética para aquecimento, transporte e setores da indústria podem ser 13,2% mais baixa.

Precisamos de lideranças políticas capazes de promover a [R]evolução Energética. Confira o vídeo:

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