O papel dos painéis fotovoltaicos e da energia solar concentrada foi praticamente negligenciado no novo relatório da AIE sobre as perspectivas energéticas do mundo.
O relatório Panorama Mundial de Energia, lançado hoje pela Agência Internacional de Energia
(AIE), perdeu a grande chance de dar ao mundo as
coordenadas corretas para enfrentar as mudanças climáticas e seus
catastróficos impactos. Prevendo mais consumo de combustível fóssil
do que o planeta pode suportar, além de promover tecnologias
equivocadas como a captura e armazenamento de carbono e a energia
nuclear, a AIE deu as respostas erradas ao problema.
"O relatório da AIE não vê limitação dos recursos de petróleo e
gás para as próximas décadas, mas há um outro recurso que tem
limite - o clima do mundo. A AIE produziu um exemplo do que não
deve ser feito. Não devemos investir em novas explorações de
combustível fóssil e infra-estrutura de produção, mas em energia
renovável e no uso inteligente de energia", afirma Sven Teske,
especialista em energia do Greenpeace Internacional.
O Greenpeace apresentou ao mundo, em outubro, um
cenário muito mais incisivo no combate às mudanças climáticas. A
mais recente versão do relatório [R]evolução Energética:
Perspectivas para uma Energia Global Sustentável, elaborado em
conjunto com o Conselho Europeu de Energia Renovável, mostra como a
energia renovável, combinada à uma maior eficiência energética,
pode reduzir as emissões mundiais de CO2 das 28 bilhões de
toneladas de hoje para 20,9 bilhões em 2030 - metade das emissões
do cenário de referência da AIE no mesmo ano.
Confira aqui o sumário executivo, em
português, do relatório [R]evolução Energética do Greenpeace.
Com as mesmas previsões de crescimento econômico, custos de
combustível e desenvolvimento da população que as da AIE, o cenário
do Greenpeace também inclui projeções de longo prazo, até 2050 -
com um corte de 50% das emissões de CO2 e a total eliminação do
combustível fóssil em 2090.
Ainda que o cenário da IEA incorpore projeções de estabilização
deemissões em 2030, o potencial de energias renováveis e
eficiênciaenergética foi mais uma vez subestimado.
A participação da energia eólica no novo relatório da AIE
continua poucorepresentada, apesar de ser mais alta em relação à
edição anterior. Jáo papel dos painéis fotovoltaicos e da energia
solar concentrada foiquase negligenciado.
"O cenário [R]evolução Energética indica que, no Brasil, as
energiasrenováveis somadas às medidas de eficiência energética
podem fornecer88% da energia da matriz elétrica em 2050 - as
energiaseólica e solar somadas poderão contribir com 24% da energia
total. No finaldas contas, a redução de gastos com termelétricas
fósseis e nuclearesresulta em energia mais barata e menos poluente
para o país", afirma Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de
Energia Renovável do Greenpeace Brasil.
Pontos chaves
Apesar de não existir, atualmente, termelétricasusando
comercialmente a tecnologia de captura e armazenamento de carbono,
a AIEacredita que a cada mês, entre hoje e 2030, duas ou três
usinaspassarão a usar a tecnologia.
O papel da energia nuclear nocenário alternativo da AIE é
igualmente irrealístico, exigindo aentrada de uma nova usina
nuclear à matriz energética a cada mês, até2030, um volume bem além
da capacidade da indústria nuclear.
"Ocaminho da energia renovável é bom tanto para o planeta como
para aeconomia. O cenário da AIE prevê investimentos de US$ 13,6
trilhões nosetor energético até 2030. Em comparação, o cenário do
Greenpeace custaapenas 8% mais, mas economiza mais de US$ 18
trilhões em custos decombustível", acrescenta Teske.
Para ilustrar o que umarevolução energética significa, o
Greenpeace abriu hoje uma estação desalvamento climático na
Polônia, para incentivar o governo local aabandonar o carvão. Em
outubro, o Greenpeace Polônia lançou sua versãodo cenário
[R]evolução Energética, mostrando que o país não precisabasear sua
produção energética em carvão. O relatório ilustra como, até2050, a
Polônia será capaz de gerar 80% de sua eletricidade a partir
defontes renováveis, como vento e sol.
Diferenças básicas entre os dois
relatórios:
* O cenário mais ambicioso da AIE revela um pico de emissões em
2020 (450 ppm). O cenário do relatório [R]evolução Energética prevê
o pico em 2015, data considerada pelo Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, como necessária para se
evitar as mudanças climáticas.
* Segundo a AIE, as emissões do uso de energia seriam de 25,7
gigatoneladas por ano em 2030. O cenário do Greenpeace reduz em
mais 20% essas emissões, para 20,9 gigatoneladas por ano, quase a
metade das atuais emissões.
* A AIE se baseia em tecnologias insustentáveis como energia
nuclear e captura e armazenamento de carbono. A [R]evolução
Energética não conta com a energia nuclear e só incorpora
tecnologias que se provaram eficientes.
* Os dois relatórios, da AIE e do Greenpeace, trazem cenários
parecidos de demanda por energia para geração de eletricidade, mas
o relatório [R]evolução Energética mostra que a demanda energética
para aquecimento, transporte e setores da indústria podem ser 13,2%
mais baixa.
Precisamos de lideranças políticas capazes de promover a
[R]evolução Energética. Confira o vídeo:
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