Tecnologias novas, ambientalmente sustentáveis e de consumo
amigável tornam a imprecisa engenharia genética obsoleta e
desnecessária, afirma o relatório "Futuro do Arroz" (1) lançado
pelo Greenpeace no dia 15 de novembro.
O relatório revela a riqueza de soluções encontradas por
fazendeiros e cientistas para melhorar a produção de arroz e
aumentar a renda dos produtores pelo uso de tecnologias como a
seleção assistida por marcador molecular (MAS na sigla em inglês -
'marker assisted selection'). Ao destacar um futuro ambientalmente
sustentável para o alimento básico mais importante do mundo, o
relatório desmascara o mito de que as empresas de engenharia
genética como a Monsanto podem assegurar o futuro do arroz.
No lançamento do relatório, o Greenpeace ganhou a adesão de
fazendeiros indianos que protestavam contra campos de testes de
engenharia genética na Índia e exigiu o fim de tais campos para
proteger o futuro e a segurança das provisões de alimentos em todo
o mundo.
"Este ano vimos a contaminação de provisões globais de arroz - o
alimento básico mais importante do mundo - por variedades ilegais
de arroz geneticamente modificado dos Estados Unidos e da China",
afirmou Divya Raghunandan, da campanha de transgênicos do
Greenpeace Índia. "Não é preciso mais provas de que as plantações
transgênicas são perigosas e não podem ser contidas. O relatório
mostra que não há necessidade de nos arriscarmos com os
transgênicos - soluções para os problemas da produção de arroz
existem e vem sendo usadas nos laboratórios e plantações de todo o
mundo", afirma ela.
O relatório, co-redigido por dois cientistas especialistas em
produção de arroz (Emerlito Borromeo, PhD em genética e Debal Deb,
PhD em ecologia), examina os desafios atuais em relação ao produto,
como as pragas e doenças, agrotóxicos e colheita. O texto destaca
soluções cientificamente comprovadas, atualmente usadas por
produtores de todo o mundo. "As soluções reais para assegurar uma
produção sustentável de arroz já existem em fazendas ao redor do
mundo. Essas soluções baseadas no conhecimento tradicional das
comunidades, quando combinadas com tecnologia de ponta, são muito
mais confiáveis e aceitáveis do que a destrutiva agricultura
industrial e imprecisa engenharia genética", afirmou Nammalwar, um
conhecido cientista da Índia especializado em agricultura
orgânica.
Fazendeiros, moleiros e comerciantes de várias partes do mundo
estão enfrentando grandes despesas financeiras como resultado da
contaminação das provisões de arroz. Nesse custo inclui-se também
testes e recall de produtos, cancelamento de pedidos, proibição de
importação, danos à imagem e desconfiança do público consumidor,
prejuízos que podem durar anos.
"Os campos de testes de arroz geneticamente modificado ameaçam
tanto a integridade da variedade do produto como os benefícios
econômicos de se produzir arroz não-transgênico. Ao tomar a frente
no desenvolvimento de provisões de arroz não-transgênico
sustentáveis e de longo prazo, o governo indiano pode se tornar
líder mundial no setor, com benefícios diretos para a economia
indiana, produtores e comerciantes de arroz, e bilhões de pessoas
que dependem do arroz como alimento básico", afirmou Divya
Raghunandan.
"O arroz é um alimento muito importante para o mundo e não se
deve fazer apostas com ele. Existem atualmente cerca de 140 mil
variedades diferentes de arroz no mundo, uma diversidade enorme que
inclui espécies resistentes a diferentes pragas e doenças, e
capacidade de crescer em condições adversas. Não precisamos de
transgênicos para se obter vantagens dessas peculariedades -
precisamos é preservar esse recurso natural e esse conhecimento, e
combiná-los com técnicas avançadas de criação", disse Divya.
"Governos e institutos de pesquisa de todo o mundo têm que
abandonar os campos de testes de engenharia genética e focar suas
energias, e também seus orçamentos de pesquisa, em soluções
sustentáveis para proteger a produção global de arroz."
NOTAS:
Confira o sumário executivo do relatório em português em:
www.greenpeace.org.br/transgenicos/pdf/arroz_futuro.pdf
Veja relatório completo em inglês em:
www.greenpeace.org/international/press/reports/future-of-rice