Relembrando o 63o. aniversário das catástrofes de Hiroshima e Nagasaki

Notícia - 5 - ago - 2008
Carta aberta do diretor executivo do Greenpeace Japão em memória das vítimas japonesas e em defesa de um mundo livre da ameaça nuclear.

Relógio de Hiroshima que 'congelou' no exato momento em que a bomba atômica explodiu na cidade.

O Greenpeace Japão, juntamente com a comunidade Greenpeace em todo o mundo, renova sua determinação em assegurar um mundo livre de ameaças nucleares; livre da ameaça de armas nucleares, dos perigos associados à geração de energia nuclear e ao uso de plutônio. Como a radioatividade não discrimina as pessoas e o meio ambiente em seus efeitos danosos, não há diferença material entre uma explosão nuclear e um acidente sério de uma usina nuclear.

Como o único país a ter sido alvo de dois ataques nucleares calculados, o governo japonês fez uma escolha imperdoável este ano. Durante o encontro do G8 em Toyako, o governo japonês e os Estados Unidos ficaram lado-a-lado, proclamando ao mundo, como nunca antes, a assertiva de que a energia nuclear é a chave para se combater as mudanças climáticas. Para a administração Bush, que sempre negou as causas do aquecimento global, propor a construção de novas usinas nucleares é um absurdo. É o mesmo tipo de tropeço cometido quando incentivou a política de produzir etanol com milho, provocando assim a atual crise global de alimentos. Começar a construir novas usinas nucleares não é apenas absurdo, mas também irônico que nunca teria sido propost se o governo japonês não tivesse apoiado, oferecendo garantias com dinheiro de impostos de seu povo para a construção de usinas nucleares americanas.

Seria fácil continuar apontando o dedo para a sitiada administração Bush, no entanto. Na verdade, quem está tentando levar o mundo para o labirinto nuclear é o governo japonês. Um governo que não consegue manobrar no auto-imposto impasse tipificado pela Usina de Reprocessamento de Rokkasho e o Reator de Monju, onde mais de 60% do orçamento do governo em pesquisas e desenvolvimento de energia é aplicado para o uso de plutônio. Como resultado, o governo não pode progredir em soluções reais para o aquecimento global. Felizmente, nenhum acordo com o governo americano ficou acertado durante o encontro do G8. Mas o chamado para o 'renascimento nuclear' verá o Japão e nós japoneses sendo responsáveis pelo futuro dessa propaganda. Será tão devastador como a Esfera de Co-Prosperidade da Grande Ásia do Leste, que foi diretamente conectada à catástrofe de Hiroshima e Nagasaki. Mas por que o único país que sofreu um ataque nuclear está sendo arrastado para esse tipo de política? A promessa de Hiroshima está reverberando - os erros do passado não devem ser repetidos.

A ameaça nuclear não está limitada à explosão de bombas ou acidentes. No Japão, a presença e a ameaça dos navios e submarinos nucleares das Forças Armadas dos Estados Unidos são muito proeminentes; o desejo de tornar a cidade de Yokosuka como lar do porta-aviões nuclear USS George Washington, da Marinha americana continua firme e forte, apesar da grande oposição da população local, e agora veio à tona que houve um vazamento de radioatividade do submarino nuclear americano USS Houston, que pode

carregar mísseis nucleares, durante sua parada em portos do Japão, Guam e Havaí, e também durante suas andanças pelo Oceano Pacífico.

No resto do mundo, o armamento nuclear da China e da Coréia do Norte no leste asiático, Índia e Paquistão no sul da Ásia, bem como países como Israel, também são motivos de preocupação. É importante que os Estados nucleares comecem a dar passos significativos para a eliminação total de suas armas nucleares, conforme disposto no Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Além disso, é vital que a cooperação nuclear entre Índia e Estados  Unidos não seja assinada, já que poderá destruir as bases do Tratado de Não-Proliferação.

A jornada para aqueles que querem um mundo livre de ameaças e catástrofes nucleares envolve um progresso lento e gradual, mas a grande chave para o sucesso é não desistir. E nós japoneses, que temos o conhecimento da dor da vítimas de bombas nucleares, precisamos seguir o desejo delas para que o Japão tome a liderança na erradicação tanto da ameaça de armas e energia nucleares. O Greenpeace Japão continuará a trilhar esse caminho, juntamente com cidadãos de todo o mundo.

Jun Hoshikawa

Diretor Executivo

Greenpeace Japão

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