Relógio de Hiroshima que 'congelou' no exato momento em que a bomba atômica explodiu na cidade.
O Greenpeace Japão, juntamente com a comunidade Greenpeace em
todo o mundo, renova sua determinação em assegurar um mundo livre
de ameaças nucleares; livre da ameaça de armas nucleares, dos
perigos associados à geração de energia nuclear e ao uso de
plutônio. Como a radioatividade não discrimina as pessoas e o meio
ambiente em seus efeitos danosos, não há diferença material entre
uma explosão nuclear e um acidente sério de uma usina nuclear.
Como o único país a ter sido alvo de dois ataques nucleares
calculados, o governo japonês fez uma escolha imperdoável este ano.
Durante o encontro do G8 em Toyako, o governo japonês e os Estados
Unidos ficaram lado-a-lado, proclamando ao mundo, como nunca antes,
a assertiva de que a energia nuclear é a chave para se combater as
mudanças climáticas. Para a administração Bush, que sempre negou as
causas do aquecimento global, propor a construção de novas usinas
nucleares é um absurdo. É o mesmo tipo de tropeço cometido quando
incentivou a política de produzir etanol com milho, provocando
assim a atual crise global de alimentos. Começar a construir novas
usinas nucleares não é apenas absurdo, mas também irônico que nunca
teria sido propost se o governo japonês não tivesse apoiado,
oferecendo garantias com dinheiro de impostos de seu povo para a
construção de usinas nucleares americanas.
Seria fácil continuar apontando o dedo para a sitiada
administração Bush, no entanto. Na verdade, quem está tentando
levar o mundo para o labirinto nuclear é o governo japonês. Um
governo que não consegue manobrar no auto-imposto impasse
tipificado pela Usina de Reprocessamento de Rokkasho e o Reator de
Monju, onde mais de 60% do orçamento do governo em pesquisas e
desenvolvimento de energia é aplicado para o uso de plutônio. Como
resultado, o governo não pode progredir em soluções reais para o
aquecimento global. Felizmente, nenhum acordo com o governo
americano ficou acertado durante o encontro do G8. Mas o chamado
para o 'renascimento nuclear' verá o Japão e nós japoneses sendo
responsáveis pelo futuro dessa propaganda. Será tão devastador como
a Esfera de Co-Prosperidade da Grande Ásia do Leste, que foi
diretamente conectada à catástrofe de Hiroshima e Nagasaki. Mas por
que o único país que sofreu um ataque nuclear está sendo arrastado
para esse tipo de política? A promessa de Hiroshima está
reverberando - os erros do passado não devem ser repetidos.
A ameaça nuclear não está limitada à explosão de bombas ou
acidentes. No Japão, a presença e a ameaça dos navios e submarinos
nucleares das Forças Armadas dos Estados Unidos são muito
proeminentes; o desejo de tornar a cidade de Yokosuka como lar do
porta-aviões nuclear USS George Washington, da Marinha americana
continua firme e forte, apesar da grande oposição da população
local, e agora veio à tona que houve um vazamento de radioatividade
do submarino nuclear americano USS Houston, que pode
carregar mísseis nucleares, durante sua parada em portos do
Japão, Guam e Havaí, e também durante suas andanças pelo Oceano
Pacífico.
No resto do mundo, o armamento nuclear da China e da Coréia do
Norte no leste asiático, Índia e Paquistão no sul da Ásia, bem como
países como Israel, também são motivos de preocupação. É importante
que os Estados nucleares comecem a dar passos significativos para a
eliminação total de suas armas nucleares, conforme disposto no
Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Além disso, é vital que a
cooperação nuclear entre Índia e Estados Unidos não seja assinada,
já que poderá destruir as bases do Tratado de Não-Proliferação.
A jornada para aqueles que querem um mundo livre de ameaças e
catástrofes nucleares envolve um progresso lento e gradual, mas a
grande chave para o sucesso é não desistir. E nós japoneses, que
temos o conhecimento da dor da vítimas de bombas nucleares,
precisamos seguir o desejo delas para que o Japão tome a liderança
na erradicação tanto da ameaça de armas e energia nucleares. O
Greenpeace Japão continuará a trilhar esse caminho, juntamente com
cidadãos de todo o mundo.
Jun Hoshikawa
Diretor Executivo
Greenpeace Japão