Notícia - 16 - mar - 2006
Greenpeace sai da MOP 3 desapontado com resultado tímido. Regras precisas de identificação de carregamentos transgênicos só entram em vigor daqui a seis anos
Houve pouco avanço para a biossegurança com as novas regras de
identificação de organismos geneticamente modificados (OGMs)
decididas por consenso nos últimos instantes da 3ª Reunião das
Partes (MOP 3) do Protocolo de Cartagena. As regras de
identificação de carregamentos transgênicos com a expressão
'contém' só entram em vigor daqui a 6 anos, além de o documento
final abrir exceções para importações de países não signatários do
protocolo.
"O resultado foi um texto muito tímido, que não estabelece um
sistema seguro de identificação para o comércio global da produção
transgênica, como se fosse possível adiar a implantação de normas
de segurança quando se está em perigo", afirmou Sérgio Leitão,
diretor de Políticas Públicas do Greenpeace.
Para o Greenpeace, a responsabilidade pelo pequeno avanço recai
principalmente sobre as multinacionais de biotecnologia, o
agronegócio e os países exportadores de transgênicos, como o
Canadá, EUA e Argentina, que mais uma vez conseguiram sequestrar
uma conferência ambiental da ONU e transformá-la no palco de
negociações de interesses puramente comerciais.
O lobby funcionou. Mais uma vez assistiu-se ao triste espetáculo
do bloqueio do avanço das negociações por um número extremamente
restrito de países, repetindo a mesma situação da reunião passada,
a MOP 2, que aconteceu em Montreal. Desta vez, México e Paraguai
bloquearam o consenso até o último minuto em relação à expressão
'contém OGMs' para cargas com transgênicos. No final aceitaram o
'contém', mas o México ainda conseguiu abrir uma exceção para
importações de países não signatários, quando o país importador não
será obrigado a exigir a legislação aprovada nesta reunião aqui em
Curitiba referente à identificação dos OGMs.
"Infelizmente, a presença maciça da indústria vem transformando
as conferências internacionais da ONU em mero balcão de negócios
para seus interesses, impedindo que as Nações Unidas cumpram o seu
papel de oferecer aos povos do mundo garantias para a defesa do
meio ambiente", concluiu Leitão.