Ativista do Greenpeace instala turbina eólica próximo a uma usina nuclear. Apesar de termos inúmeras opções mais baratas, limpas e seguras, ainda há países que insistem em gastar bilhões em reatores atômicos.
Metade da eletricidade consumida no mundo poderia ser gerada por
fontes renováveis, diz a segunda edição do estudo [R]evolução
Energética: Perspectivas para uma Energia Global Sustentável (clique aqui para o sumário executivo do
relatório em português, arquivo pdf), lançado nesta segunda-feira
(27/10) na Alemanha.
Atualmente, apenas 13% da demanda mundial de energia primária é
suprida pelas renováveis. De acordo com a pesquisa elaborada pelo
Centro Aeroespacial da Alemanha, por ecomenda do Greenpeace e da
Comissão Européia de Energia Renovável (EREC, na sigla em inglês),
investimentos agressivos em renováveis poderiam resultar em uma
indústria com faturamento de US$ 360 bilhões anuais.
Para ler o relatório na íntegra, em inglês, clique aqui (arquivo pdf, 212 páginas)
Dentro do cenário traçado, as termelétricas fósseis
desapareceriam, o que geraria uma economia de US$ 18 trilhões na
compra de combustíveis fósseis - valor mais que suficiente para
financiar o aumento das renováveis na matriz energética
mundial.
Assista ao vídeo "Revolução
Energética":
A adoção de fontes alternativas de energia é fundamental para
combater as mudanças climáticas, que já estão alterando
ecossistemas e provocando cerca de 150 mil mortes por ano. Um
aquecimento global médio de 2°C ameaçará milhões de pessoas com o
aumento de fome, malária, inundações e escassez de água. O
principal gás responsável pelo efeito estufa é o dióxido de carbono
(CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis para a geração
de eletricidade e transporte.
O cenário [R]evolução Energética tem como meta para 2050 a
redução de 50% das emissões mundiais de CO2, em relação aos níveis
de 1990, a fim de manter o aumento da temperatura global abaixo de
2°C. A eficiência energética tem o papel principal na redução
destas emissões. O estudo considera a adoção de padrões rígidos de
eficiência, essenciais para a redução da demanda energética e
também para a redução dos custos energéticos globais. Esta redução
pode ser obtida em indústrias, residências e nos setores comercial
e público.
Empregos - No contexto da atual instabilidade econômica,
outro benefício do uso de renováveis é a geração de postos de
trabalho, muito maior que nos mecanismos de geração a partir de
fontes fósseis.
"O mercado global de energia renovável pode crescer a taxas de
dois dígitos até 2050, e ultrapassar o tamanho da atual indústria
de combustíveis fósseis. Hoje, o mercado de energia renovável
movimenta US$ 70 bilhões e dobra de tamanho a cada três anos",
avalia Oliver Schäfer, diretor de Política da EREC.
"A indústria de renováveis está pronta para responder à
necessidade de fazer da revolução energética uma realidade. O que
impede uma reestruturação do setor energético mundial é a falta de
vontade política", completa Schafer.
"A proposta do cenário [R]evolução energética pode ser
perfeitamente aplicada nacionalmente. O potencial de energias
renováveis como eólica, solar e cogeração a biomassa é extremamente
alto e a implantação destas energias vai reduzir a construção de
mais termelétricas fósseis no futuro", diz Ricardo Baitelo,
coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace no
Brasil.
"A intensificação de programas de eficiência energética e a
redução dos gastos com combustíveis fósseis serão tão positivos
para o meio ambiente quanto para a nossa economia, haja visto o
aumento das tarifas de eletricidade por conta da operação excessiva
das termelétricas neste ano", diz Baitelo.
O cenário traçado pelo estudo assegura que países desenvolvidos
economizem a maior parte da energia e assegurem que países em
desenvolvimento como Brasil, China e Índia tenham acesso à energia
que necessitam para seu crescimento.
Leia também:
Relatório aponta caminho da sustentabilidade energética brasileira
Sujou! Leilões de energia priorizam usinas térmicas a óleo combustível
ONU estima criação de 20 milhões de empregos verdes até 2030
Greenpeace demarca rota de material radioativo em Salvador
Denúncia sobre contaminação da água em Caetité mobiliza MPF, governo da Bahia e INB
Plano de mudanças climáticas do governo é fraco