Revolução Energética, a missão: gerar 50% da eletricidade mundial com renováveis

Notícia - 26 - out - 2008
Segundo estudo lançado pelo Greenpeace, investimentos em fontes limpas podem resultar em indústria com faturamento de US$ 360 bi/ano.

Ativista do Greenpeace instala turbina eólica próximo a uma usina nuclear. Apesar de termos inúmeras opções mais baratas, limpas e seguras, ainda há países que insistem em gastar bilhões em reatores atômicos.

Metade da eletricidade consumida no mundo poderia ser gerada por fontes renováveis, diz a segunda edição do estudo [R]evolução Energética: Perspectivas para uma Energia Global Sustentável (clique aqui para o sumário executivo do relatório em português, arquivo pdf), lançado nesta segunda-feira (27/10) na Alemanha.

Atualmente, apenas 13% da demanda mundial de energia primária é suprida pelas renováveis. De acordo com a pesquisa elaborada pelo Centro Aeroespacial da Alemanha, por ecomenda do Greenpeace e da Comissão Européia de Energia Renovável (EREC, na sigla em inglês), investimentos agressivos em renováveis poderiam resultar em uma indústria com faturamento de US$ 360 bilhões anuais.

Para ler o relatório na íntegra, em inglês, clique aqui (arquivo pdf, 212 páginas)

Dentro do cenário traçado, as termelétricas fósseis desapareceriam, o que geraria uma economia de US$ 18 trilhões na compra de combustíveis fósseis - valor mais que suficiente para financiar o aumento das renováveis na matriz energética mundial.

Assista ao vídeo "Revolução Energética":

A adoção de fontes alternativas de energia é fundamental para combater as mudanças climáticas, que já estão alterando ecossistemas e provocando cerca de 150 mil mortes por ano. Um aquecimento global médio de 2°C ameaçará milhões de pessoas com o aumento de fome, malária, inundações e escassez de água. O principal gás responsável pelo efeito estufa é o dióxido de carbono (CO2), produzido pela queima de combustíveis fósseis para a geração de eletricidade e transporte.

O cenário [R]evolução Energética tem como meta para 2050 a redução de 50% das emissões mundiais de CO2, em relação aos níveis de 1990, a fim de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2°C. A eficiência energética tem o papel principal na redução destas emissões. O estudo considera a adoção de padrões rígidos de eficiência, essenciais para a redução da demanda energética e também para a redução dos custos energéticos globais. Esta redução pode ser obtida em indústrias, residências e nos setores comercial e público.  

Empregos - No contexto da atual instabilidade econômica, outro benefício do uso de renováveis é a geração de postos de trabalho, muito maior que nos mecanismos de geração a partir de fontes fósseis.

"O mercado global de energia renovável pode crescer a taxas de dois dígitos até 2050, e ultrapassar o tamanho da atual indústria de combustíveis fósseis. Hoje, o mercado de energia renovável movimenta US$ 70 bilhões e dobra de tamanho a cada três anos", avalia Oliver Schäfer, diretor de Política da EREC.

"A indústria de renováveis está pronta para responder à necessidade de fazer da revolução energética uma realidade. O que impede uma reestruturação do setor energético mundial é a falta de vontade política", completa Schafer.

"A proposta do cenário [R]evolução energética pode ser perfeitamente aplicada nacionalmente. O potencial de energias renováveis como eólica, solar e cogeração a biomassa é extremamente alto e a implantação destas energias vai reduzir a construção de mais termelétricas fósseis no futuro", diz Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace no Brasil.

"A intensificação de programas de eficiência energética e a redução dos gastos com combustíveis fósseis serão tão positivos para o meio ambiente quanto para a nossa economia, haja visto o aumento das tarifas de eletricidade por conta da operação excessiva das termelétricas neste ano", diz Baitelo.   

O cenário traçado pelo estudo assegura que países desenvolvidos economizem a maior parte da energia e assegurem que países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia tenham acesso à energia que necessitam para seu crescimento.

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