Rio Grande (RS) tornou-se hoje o 25o município brasileiro a
aderir ao programa Cidade Amiga da Amazônia, do Greenpeace. O
prefeito Janir Branco (PMDB) assinou o termo "Compromisso pelo
Futuro da Floresta" juntamente com o Greenpeace e o Núcleo de
Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) durante solenidade no
gabinete do prefeito. O objetivo do Cidade Amiga da Amazônia é
fazer com que os municípios implementem leis locais para evitar o
consumo de madeira amazônica proveniente de desmatamentos e
extração ilegal nas licitações promovidas pelas prefeituras.
"Rio Grande é a segunda cidade gaúcha que adota medidas
concretas para promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia",
comemora Adriana Imparato, do programa Cidade Amiga da Amazônia, do
Greenpeace. "Ao adotar critérios para a compra de madeira nas
licitações promovidas pela prefeitura, Rio Grande está ajudando a
fechar o mercado para quem trabalha com madeira de origem
criminosa".
"Aqui em Rio Grande nossos compromissos não ficam só no papel.
Temos uma equipe colegiada que cuida da implementação de cada
documento que assinamos, e com a Cidade Amiga da Amazônia não vai
ser diferente", afirmou o prefeito Janir Branco, durante a
assinatura do compromisso.
A indústria madeireira é uma das principais forças de destruição
da Amazônia. Cerca de 70% da madeira produzida na região é
consumida pelo mercado brasileiro e as prefeituras consomem grandes
volumes em obras públicas e mobiliário. Entre 2003 e 2004, 26.130
quilômetros quadrados de florestas foram completamente destruídos
na Amazônia, o equivalente a seis campos de futebol desmatados por
minuto.
Ao aderirem ao programa do Greenpeace, as prefeituras contribuem
de maneira concreta para reduzir a destruição criminosa da
floresta. Para tornar-se uma "Cidade Amiga da Amazônia", as
administrações devem formular leis municipais que exijam quatro
critérios básicos em qualquer compra ou contratação de serviço que
utilize madeira produzida na Amazônia: proibir o consumo de mogno,
uma espécie ameaçada; exigir, como parte dos processos de
licitação, provas da origem legal e em Planos de Manejo Florestal
da madeira; dar preferência à madeira certificada pelo FSC, um
sistema que garante a origem sustentável do produto florestal; e
orientar construtores e empreiteiros a substituir madeiras
descartáveis utilizadas em tapumes, fôrmas de concreto e andaimes
por alternativas reutilizáveis como ferro ou chapas de madeira
resinada.
A adesão de Rio Grande ao programa do Greenpeace contou com a
participação do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental
(Nema), organização não-governamental sem fins lucrativos, de
utilidade pública municipal, que atua na região há 20 anos. De
acordo com Renato Carvalho, diretor do Nema, é preciso buscar
alternativas para o uso responsável dos recursos naturais ao mesmo
tempo em que se preserva a floresta. "É extremamente importante
para o planeta que a Amazônia seja protegida", afirma Carvalho.
"Nós, que estamos distante da floresta, também podemos fazer a
nossa parte e, neste sentido, a campanha do Greenpeace nos oferece
a chance de participar ativamente da proteção da maior floresta
tropical do planeta. A prefeitura de Rio Grande também está dando
uma lição de consciência ambiental que terá impactos para todo o
planeta. Esperamos que iniciativas assim se multipliquem para
outros ecossistemas e recursos naturais".
Outros 24 municípios já participam do programa do Greenpeace,
entre eles São Paulo (SP), Manaus (AM) e, no estado de São Paulo:
Botucatu, Piracicaba, Santos, Guarulhos, Osasco, Americana e
Campinas, entre outros.