Greenpeace/Rodrigo Baleia
Após uma longa e acirrada disputa de mais de cinco horas, a
bancada ruralista do Senado conseguiu impor ao país, por uma
apertada maioria de 23 votos a favor a 21 contra e uma abstenção, a
Medida Provisória 458, a MP da Grilagem. A MP apresentada pela
presidência da República com a justificativa de legalizar terras
ocupadas na Amazônia Legal havia sido aprovada na Câmara dos Deputados com a
inclusão de emendas que beneficiam grileiros de terras públicas e
empresas. A medida possibilita que 80% das terras públicas
apropriadas irregularmente, o equivalente a 67 milhões de hectares,
sejam privatizadas.
Agora, a MP 458 segue para aprovação do presidente Lula. "O
congresso privatizou escandalosamente a Amazônia, o que vai
aumentar o desmatamento e acelerar as mudanças climáticas. Os
ruralistas insultaram a memória de tantos brasileiros que, como
Chico Mendes, morreram na defesa do maior patrimônio ambiental do
país", disse Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do
Greenpeace. "Agora a responsabilidade para evitar esse desastre
está nas mãos daquele que o criou, o presidente Lula, que precisa
seguir o conselho de Marina e vetar os parágrafos da medida que
ameaçam o meio ambiente."
Em um discurso emocionante que, certamente, entrará para a
história, a senadora Marina Silva (PT/AC) falou da violência
causada pela grilagem na Amazônia. Entre 1999 e 2008 5.380
conflitos envolveram 2,7 milhões de pessoas, provocando 253 mortes
por assassinado. "Os defensores dessa medida dizem que ela não vai
legalizar a grilagem, mas não é o que pensam os especialistas. A MP
458 vai jogar por terra 15 anos de trabalho de promotores sérios
contra a grilagem. Aqueles que grilaram vão ganhar o título de
cidadão de bem", disse Marina.
Juntamente com o senador Aloizio Mercadante (PT/SP), Marina até
tentou uma negociação. A proposta foi manter o texto dois aspectos
do texto proposto inicialmente pelo governo: prazo de 10 anos para
que as terras regularizadas sejam vendidas (na Câmara dos
Deputados, esse período foi reduzido para três anos) e
possibilidade de empresas sejam donas de terras amazônicas.
Ironicamente, esse último item possibilita a internacionalização da
Amazônia por empresas transnacionais, exatamente o que o falso
argumento usado pelos ruralistas para tentar desqualificar o
trabalho do Greenpeace .
Outro aspecto negativo é que os imóveis de ate 400 hectares não
precisam passar por vistorias para serem regularizados. Pela MP
458, o governo aceitará uma declaração do próprio beneficiado
descrevendo a situação em que suas terras se encontra para
regularizar a aterra, o que abre brecha para fraudes.
Agora, cabe ao presidente Lula não deixar que a bancada
ruralista, liderada pela senadora Kátia Abreu (DEM/TO) empurre
goela abaixo da sociedade brasileiras a regularização da
grilagem.
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