A prefeitura e a Câmara de Vereadores de São Leopoldo (RS)
aprovaram, no final da semana passada, a construção da primeira
obra pública utilizando apenas madeira certificada do País. Será
uma casa que servirá de Centro de Informações Turísticas do Marco
Zero da Rota Romântica gaúcha. A construção deve utilizar madeira
certificada em sua estrutura, acabamento e mobiliário.
A iniciativa surgiu após o município de São Leopoldo ter
assinado o termo de compromisso com o programa Cidade Amiga da
Amazônia, do Greenpeace. O principal objetivo do programa é
incentivar prefeituras a adotarem leis locais que evitem o consumo
de madeira criminosa nas compras e licitações públicas. São
Leopoldo aderiu ao Cidade Amiga da Amazônia em dezembro de
2005.
"Construir o marco zero com madeira certificada mostra que o
compromisso de São Leopoldo com o futuro da Amazônia está sendo
colocado em prática", afirma Rebeca Lerer, coordenadora do programa
do Greenpeace. "Ao consumir madeira certificada, a prefeitura está
agindo para deter o desmatamento e apoiando empresários
comprometidos com o desenvolvimento sustentável da região
amazônica. Essa obra será um marco na luta contra a extração ilegal
de madeira".
A certificação florestal FSC (sigla em inglês para Conselho de
Manejo Florestal)
é independente, incorpora de maneira equilibrada interesses de
grupos sociais,
ambientais e econômicos e adota critérios aceitos
internacionalmente. O selo FSC oferece ao consumidor a melhor
garantia de que a atividade madeireira ocorre de maneira legal e
não acarreta a destruição das florestas primárias como a
Amazônia.
Ainda como parte do Cidade Amiga da Amazônia, a prefeitura de
São Leopoldo criou um Grupo de Trabalho no executivo municipal para
elaborar a política de compras responsáveis de madeira. O Grupo tem
a participação do Greenpeace e da ONG local UPAN (União Protetora
do Ambiente Natural), parceira do programa na cidade, e já realizou
diversas reuniões. O próximo passo do GT é enviar um projeto de lei
à Câmara de Vereadores estabelecendo regras para todas as compras
de madeira da prefeitura.
Entre 60% e 80% de toda madeira extraída da Amazônia têm origem
ilegal e mais de 64% são consumidos pelo mercado brasileiro. Em
média, um campo de futebol é desmatado a cada oito segundos na
Amazônia.
No Rio Grande do Sul, além de São Leopoldo e da capital Porto
Alegre, os
municípios de Santa Maria, Rio Grande e Cachoeirinha já se
comprometeram com o programa. Atualmente, o Cidade Amiga da
Amazônia está em andamento em um total de 35 prefeituras
brasileiras, incluindo São Paulo, Salvador e Manaus, e no governo
do Estado de São Paulo.