Paulo Adário, coordenador da Campanha de Amazônia do Greenpeace, entrega ao governador de São Paulo, José Serra, documento do pacto que propõe o fim do desmatamento na Amazônia em sete anos.
O pacto proposto por diversas ONGs, entre as quais o Greenpeace,
para zerar o desmatamento na Amazônia em sete anos ganhou um
reforço de peso nesta sexta-feira. O governador de São Paulo, José
Serra, e o prefeito da capital, Gilberto Kassab, aderiram à
proposta em ato político realizado no Parque Villa Lobos pela
governança da Amazônia, subindo no caminhão preparado pelo
Greenpeace para a exposição itinerante "Aquecimento Global: Apague
Essa Idéia".
O Brasil é o quarto maior poluidor do clima mundial graças às
queimadas e ao desmatamento da Amazônia.
"O Greenpeace foi impedido de trazer uma castanheira que foi
derrubadaa troco de nada. Estamos tornando o futuro uma vítima do
presente, emtroca de praticamente nada. Podem contar com minha
solidariedade, agorae no futuro, onde quer que eu esteja", afirmou
Serra durante a cerimônia.
A castanheira de 13 metros coletada pelo Greenpeace na Amazônia
para participar da exposição itinerante foi confiscada por
madeireiros na cidade de Castelo dos Sonhos (PA). Ativistas do
Greenpeace ficaram sob cárcere privado por mais de 40 horas. O
Greenpeace tinha autorização do Ibama para coletar e transportar a
árvore, mas ela foi retirada pelo órgão depois dele ser pressionado
pelos madeireiros. Com isso, a exposição que começaria neste final
de semana em São Paulo - seguindo depois para Rio e Brasília -, foi
adiada.
Confira a história toda aqui.
As intenções do governo de São Paulo não ficam apenas nas
palavras. A Operação Primavera, realizada nas estradas que cortam o
Estado, apreendeu mais de 300 toneladas de madeira nativa que saiu
ilegalmente da Amazônia. Na quinta-feira, apreendeu mais 200
toneladas de madeira ilegal, aplicando R$ 300 mil em multas. A
operação vem sendo realizada também em outras cidades do
Estado.
"Estamos cercando a entrada de madeira ilegal em São Paulo como
contribuição à conservação da Amazônia", afirmou Xico Graziano,
secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. O prefeito
Gilberto Kassab anunciou sua solidariedade ao movimento e lamentou
a ausência da árvore.
"A ausência dessa árvore fala mais alto do que sua presença
porque significa a prova da falta de governança na Amazônia",
afirmou Paulo Adário, coordenador da campanha de Amazônia do
Greenpeace. "Com seu peso político e econômico, São Paulo pode dar
uma grande contribuição à preservação da Floresta Amazônica", disse
Adário, que considerou a presença das autoridades paulistas no
evento como "um estímulo ao Pacto pelo Fim do Desmatamento e um
claro sinal da necessidade de maior governança na floresta".
São Paulo foi o primeiro estado brasileiro a aderir, em 2006, ao
programa Cidade Amiga da Amazônia, do Greenpeace, que visa
banir madeira ilegal e predatória do consumo público. Para mostrar
o compromisso do Estado com a proteção da Amazônia, José Serra
divulgou medidas recentes adotadas pelo seu governo para coibir a
comercialização de madeira ilegal no território estadual, o maior
consumidor de madeira da região amazônica.
"O conjunto de ações apresentadas hoje e as políticas de
climaatualmente em discussão sinalizam que o estado de São Paulo e
suacapital estão no caminho certo para combater o aquecimento
global",disse Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace.
"A Amazôniaexerce grande influência no clima de São Paulo,
protegê-la tambémsignifica qualidade de vida aos paulistas",
concluiu Furtado.
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